Cartas de Marx ao Dr. Kugelmann/29 de Novembro de 1864

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Cartas de Marx a Kugelmann por Karl Marx
29 de Novembro de 1864
Publicado pela primeira vez em Die Neue Zeit, Stuttgart, 1901-1902.
Ouça este texto (ajuda | info da mídiadownload)


Londres, 29 de Novembro de 1864

1 Modena Villas
Maitland Park, Haverstock Hill, N. W.


Prezado amigo,

Hoje receberás pelo correio seis cópias enviadas por mim do "Discurso da Associação Internacional dos Trabalhadores", do qual eu sou o autor. Por favor, tenha a bondade de conduzir uma cópia com minhas melhores estimas à Madame Markheim (Fulda). Dê uma ao Sr. Miquel igualmente.

A Associação - ou melhor seu Comitê - é importante porque os líderes das Trade Unions de Londres pertencem a ele, as mesmas pessoas que organizaram aquela enorme recepção para Garibaldi e frustraram o plano de Palmerston para uma guerra com os Estados Unidos por meio do comício "monstro" no St. James’s Hall. Os líderes dos operários parisienses também estão em contato com ele.

Nos últimos anos sofri muito devido a doenças (nos últimos 14 meses devido a uma recorrência de carbúnculos). Minhas circunstâncias pessoais melhoraram em consequência da herança que recebi à morte da minha mãe.

Penso que meu livro sobre capital (60 folhas) estará finalmente pronto para impressão no ano que vem.

Entenderás facilmente as razões para não permitir à mim mesmo de envolver-me no movimento de Lassalle, durante sua vida, sem ter que explicá-las em detalhe. Contudo, isto não pode - ainda mais desde que pessoas próximas a ele urgem para que eu o faça - impedir-me de defendê-lo, agora que está morto, contra tais covardes e desprezíveis como o barulhento K. Blind.

Temo que no meio da primavera ou início do verão do ano que vem haverá uma guerra entre Itália, Áustria e França. Isto será um grande dano para o movimento na França e na Inglaterra, que está crescendo significativamente.

Espero notícias suas em breve.

Muito respeitosamente seu,


K. Marx