Dói-me o nevoeiro, dói-me o céu

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Dói-me o nevoeiro, dói-me o céu
por Fernando Pessoa
24-8-1930


ói-me o nevoeiro, dói-me o céu
Que não está cá.
Estou cansado de ser tudo menos eu.
Onde é que está
A unidade que Deus, suponho, me deu?

Perdi-a por sentir, ou por pensar?
Não serve saber.
Extraviei-a, como um embrulho, a sonhar?
Perder por perder,
Mais vale deixar perder e não procurar.