Diccionario Bibliographico Brazileiro/Adelia Josephina de Castro Fonseca

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Diccionario Bibliographico Brazileiro por Sacramento Blake
Adelia Josephina de Castro Fonseca


D. Adelia Josephina de Castro Fonseca — É natural da capital da província da Bahia, filha de Justiniano de Castro Rebollo e de dona Adriana de Castro Rebollo, e casada com o chefe de divisão Ignacio Joaquim da Fonseca. De uma educação primorada, cultora mimosa da poesia desde seus mais verdes annos, qualquer de suas composições denuncia um dos bellos dotes de seu espirito, como por exemplo a que tem por titulo Ao meu coração, dirigida ao espozo, em cuja imagem, na auzencia, se espelha soa mente. Eis a poesia :

«Porque estás tão apressado,
Coração, a palpitar?
Queres, deixando meu peito,
Por esses ares vôar?
Queres de meu pensamento
A carreira acompanhar?

Queres, misero insensato,
Este desejo cumprir?
Intentas da fantazia
Os amplos vôos seguir?
Buscas, vencendo a distancia,
Tua saudade extinguir?...

Esta saudade tão funda,
Tão viva, tão pertinaz,
Que te faz tão desgraçado,
Que tão ditozo te faz?
Que tanto te amarga ás vezes,
Que ás vezes tanto te apraz?

Pretendes tu, pobre louco,
Tuas dôres augmentar?
Desejas ao lado — d'Elle —
De martyrios te fartar?
Queres nos olhos, que adoras,
Mais desenganos buscar?

Si ao excesso do tormento
Tivesses de succumbir,
Quem tanto havia de amal-o,
Deixando tu de existir?
Quem ousaria comtigo
Em firmeza competir?

E elle, onde poderia
Tão soberano reinar?
Onde iria sua imagem
Obter tão devoto altar,
E tão desvelado culto,
Tão fervoroso — encontrar?

Deixa ir só meu pensamento
De seus vôos na amplidão.
Quem sabe, si ao lado d'outra
O acharás, coração?...
Morre embora de saudade;
Porém de ciume... não!

Dona Adelia escreveu:

Echos de minha alma. Bahia, 1865, in-8° — É uma collecção de seus primeiros versos. Este livro foi-me levado de minha estante, mas delle ficaram-me deslocadas duas folhas, donde transcrevi a poesia acima.

Collaboradora constante do Almanak de lembranças luzo-brazileiro, seus escriptos têm ahi logar distincto. Entre taes escriptos ahi se acham:

A aurora brazileira: poesia em decimas rimadas, que vem no almanak para o anno de 1860, pag. 379, reimpressa no do anno seguinte, pag. 342, e também no volume Echos de minha alma. É uma primorosa composição, a proposito de outra de um distincto poeta portuguez, cantando a aurora de seu paiz, á qual antepõe a autora as bellezas da aurora do Brazil.