Doçura e bondade (ortografia original)

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Doçura e bondade
por Desconhecido
Conto agrupado posteriormente e publicado em Contos para a infancia (1877) por Guerra Junqueiro .
Obra com ortografia atualizada disponível em Doçura e bondade.


Ha entre vós, meus filhos, indoles violentas, que não sabem dominar-se, e que são arrastadas pelas primeiras impressões. É uma pessima disposição, que é necessario corrigir; dá lugar a disputas, e a que se commettam acções, cujo arrependimento chega demasiadamente tarde. Citar-vos-hei dois exemplos de que fui testemunha.

Um rapaz, sacudido violentamente na rua por um homem que vinha diante d'elle, volta-se e dá-lhe uma bofetada.

— Oh! senhor! exclamou o outro, mal sabe a pena que vae ter! bateu n'um cego!»

Um homem ainda novo montado n'um burro, atravessava uma aldeia, e uns camponezes grosseiros começaram a apupal-o e a bater no burro, para o fazer correr. O homem apeou-se, foi direito a elles, e, mostrando-lhes a sua perna aleijada, disse-lhes: «Se soubesseis que eu era coxo, não terieis sido tão covardes.»

Os camponezes, envergonhados, córaram, afastando-se sem pronunciar uma palavra.

Que vos parece estas duas lições? Estou convencido que aproveitaram a quem as recebeu.