Fabulas de Esopo/A Gralha e os Pavões

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
A Gralha e os Pavões


FABULA XXXVIII.

A Gralha e os Pavões.

Fez-se a Gralha bizarra e louca vestindo-se de pennas de Pavões, que pedio emprestadas, e despresando as outras Gralhas, andava com os Pavões de mistura. Porém elles lhe pedírão as suas pennas, e começando a depennala, todos lhe levavão pennas e carne no bico. Depois querendo chegar-se ás outras, ainda que com temor e vergonha, dizião-lhe ellas: Quanto te valera mais contentar-te com o que te deo a natureza, que querer mudar de estado, para vires a este em que estás, pellada, ferida e vergonhosa.

MORALIDADE.

Quem faz casa e toma fausto com rendas alheias, ou fazenda emprestada, tem o successo desta Gralha. Chega-se o tempo da paga, vem os acredores, tomão-lhe as alfaias com que se honrava, e se não bastão, dão com elle na cadea, donde sahe pellado e vergonhoso.