Fabulas de Esopo/A Formiga e a Mosca

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
A Formiga e a Mosca


FABULA XXXIX.
A Formiga e a Mosca.

Entre a Mosca e Formiga houve grande altercação sobre pontos de honra. Dizia a Mosca: Eu sou nobre, vivo livre, ando por onde quero, cômo viandas preciosas, e assento-me á meza com o Rei, e dou beijo nas mais formosas damas. Tu malaventurada, sempre andas trabalhando. Respondeo a Formiga: Tu es douda ociosa. Se pousas huma vez em prato de bom manjar, mil vezes comes sujidades e immundicias aborrecidas de todos; se te pões no rosto da dama ou á meza com o Rei, não he por sua vontade, senão porque tu es enfadonha e importuna.

MORALIDADE.

Desta Fabula aprendamos o pouco que valem homens ociosos e importunos como moscas, que se gabão diffamando mulheres e pessoas honradas; e contão feitos que nunca lhes acontecêrão, desprezando os que como formigas vivem de sua industria, mas quando vem a occasião, não fazem nada e ficão affrontados e tidos por cobardes.