Fabulas de Esopo/A Rã e o Touro

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
A Rã e o Touro


FABULA XL.
A Rã e o Touro.

Andava hum grande Touro passeando no longo da agua, e vendo-o a Rã tão grande, tocada da inveja, começou de comer e inchar-se com vento, e perguntava ás outras se era já tão grande. Respondem ellas que não: Torna a Rã segunda vez, e põe mais força por inchar; e desenganada do muito que lhe faltava para igualar o Touro, terceira vez inchou tão rijamente que veio a arrebentar com cobiça de ser grande.

MORALIDADE.

Marcial em hum epigramma contra Otalicio, moralisa esta Fabula, entendendo pela Rã o ambicioso, que desejando igualar-se com o rico no trato e despeza, gasta o que tem e o que não tem, e chega a consumir-se, até que rebenta em muitas dividas que dão com elle no hospital. Fiquem logo avisados aquelles, que são Rãs na posse, não queirão despender como Touros, porque não rebentem como esta, de que tratou esta Fabula.