Fabulas de Esopo/As duas Cadellas

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
As duas Cadellas


FABULA XVIII.


As duas Cadellas.


Tomando a huma cadella as dôres de parir, e não tendo lugar donde parisse, rogou a outra que lhe désse a sua cama e pousada, que era em hum palheiro, e tanto que parisse se iria com seus filhos. Fêlo a outra com dó della, e depois de haver parido, lhe disse que se fosse embora: porém a boa hospeda mostrou-lhe os dentes, e não a quiz deixar entrar, dizendo que estava de posse, e que não a lançarião dalli, senão fosse por guerra e ás dentadas.

MORALIDADE.


Mostra esta Fabula ser verdadeiro o adagio, que diz: Queres inimigo? Dá o teu, e pede-o. Porque, sem dúvida, ha muitos homens como esta cadella parida, que pedem humildemente, mostrando sua necessidade, e depois de terem o alheio em seu poder, reganhão os dentes a quem lho pede, e se são poderosos ficão com elle.