Fabulas de Esopo/O Bezerro e o Labrador

Wikisource, a biblioteca livre
< Fabulas de Esopo
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
O Bezerro e o Labrador


FABULA XXIV.


O Bezerro e o Labrador.


Tinha hum Lavrador hum Bezerro forte e mimoso, e pôlo no jugo com outro boi manso: mas como o Bezerro o não quizesse tomar, nem soffrer, com pancadas e pedradas trabalhava o Lavrador pelo amansar. E disse ao boi manso: Não te tomo com este para que lavres, que ainda não he para isso, senão para o amansar de pequeno, porque depois que for touro madrigado não haverá quem o amanse.


MORALIDADE


Ensina-nos esta Fabula quanto seja necessario dobrar e refrear os filhos de pequenos, costumalos á virtude, tirando-os de ociosidades, que sempre parem affrontas na velhice; porque doutrina christã he, que quem tira aos moços o castigo, se lhes quer bem, lhes faz mal. Donde se prova que quem lhes quer bem, lhes faz mal. Donde se prova que quem lhes tem amor, deve de os domar e castigar de pequenos. Tambem pelo boi manso se vê que o homem quieto e pacifico sempre he mais querido e estimado daquelles que tratão com elle.