Fabulas de Esopo/O Gallo e a Raposa

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
O Gallo e a Raposa


FABULA XXIII.


O Gallo e a Raposa.


Fogindo as Gallinhas com seu Gallo de huma Rapoza, subírão-se em hum pinheiro, e como a Rapoza alli não podesse fazer-lhes mal, quiz usar de cautela, e disse ao Gallo: Bem podeis descer-vos seguramente, que agora acabou-se de assentar paz universal entre todas as aves e animaes: por tanto vinde, festejaremos este dia. Entendeo o Gallo a mentira; mas com dissimulação respondeo: Estas novas por certo são boas e alegres, mas vejo acolá assomar tres cães; deixemolos chegar, todos juntos festejaremos. Porém a Rapoza, sem mais esperar, acolheo-se dizendo: Temo que o não saibão ainda, e me matem. Assim se foi, e ficárão as Gallinhas seguras.


MORALIDADE.


Hum cravo tira outro cravo. Por este Gallo póde entender-se o homem sisudo, que quando outro com palavras o quer enganar, dissimula, fingindo que não o entende, e com palavras brandas se defende. Que se o falso encontra homem avisado, quasi sempre cahe nos laços que armou.