Fabulas de Esopo/O Bogio, o Lobo e a Rapoza

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
O Bogio, o Lobo e a Rapoza


FABULA LVII.


O Bogio, o Lobo e a Rapoza.

Querelou o Lobo da Rapoza, dizendo que fizera hum furto. Era juiz o Bogio. E a Rapoza negou fortemente, disputando ambos diante do juiz, e cada hum descobrio quantas maldades sabia do outro. Depois do Bogio os ouvir, pronunciou a sentença, dizendo que o Lobo não provara bem ser-lhe feito furto: mas que elle entendera que a Rapoza tinha furtado alguma cousa; por tanto condemnava a ambos que ficassem entre si sempre desavindos e suspeitosos.

MORALIDADE.


Natural he maliciosos e mentirosos cuidarem que não ha homem que seja bom, nem verdadeiro; e por estas suspeitas condemnarem quantos conhecem e não conhecem. Tambem mostra esta Fabula que os juizes que para condemnar se regem não pela prova, senão por suspeitas; tem saber de Bogio, que tudo sabe para mal, e não para bem.