Fabulas de Esopo/A Faia e a Cananoura

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
A Faia e a Cananoura


FABULA LVIII.


A Faia e a Cananoura.

A Faia alta e direita não queria dobrar-se ao vento, antes vendo a Cananoura, que se maneava facilmente, a conselhava que estivesse sem dobrar-se. Respondeo a Cananoura: Tu podes resistir, eu não, que não tenho raizes compridas, nem sou forte como tu es. Dizendo isto, veio hum pé de vento com braveza, que arrancou a Faia com raizes e tudo; mas a Cananoura, que se dobrou, ficou em pé.


MORALIDADE.


Mostra bem esta Fabula quão sujeitos estão a desastres os soberbos e os que a ninguem querem dobrar-se, e por outra parte, que segura he a humildade; porque os que soffrem com discrição, e obedecem aos tempos, ainda que pareção Cananouras fracas, permanecem mais que os soberbos.