Fabulas de Esopo/A Formiga e a Cigarra

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
A Formiga e a Cigarra


FABULA LIX.


A Formiga e a Cigarra.


No inverno tirava a Formiga da sua cova a assoalhar o trigo, que nella tinha, e a Cigarra com as mãos postas lhe pedia que repartisse com ella, que morria á fome. Perguntou-lhe a Formiga que fizera no Estio, porque não guardara para se manter? Respondeo a Cigarra: o Verão e Estio gastei em cantar e passatempos pelos campos. A Formiga então perseverando em recolher seu trigo, lhe disse: Amiga, pois os seis mezes de Verão gastastes em cantar, bailar he comida saborosa e de gosto.

MORALIDADE.


Notorio he significar-se pela Formiga o homem trabalhador, diligente e guardoso. Por tanto nos ensina esta Fabula que sejamos como a Formiga, e não confiemos no que outrem nos ha de dar ou emprestar; que com razão se póde negar tudo ao preguiçoso, se he como a Cigarra affeiçoado a musica e passatempos. Porém trabalhar e guardar he caminho certo de não haver mister a ninguem.