Fabulas de Esopo/O Caminhante e a Espada

Wikisource, a biblioteca livre
< Fabulas de Esopo

Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
O Caminhante e a Espada


FABULA LX.


O Caminhante e a Espada.

Achou hum Caminhante huma Espada bem guarnecida em meio da estrada, perguntou-lhe quem a perdera e deixara alli. Callou-se ella e esteve queda. Depois sendo outra vez perguntada, respondeo: Ninguem me perdeo a mim, ainda que me vês lançada neste chão, antes eu fiz perder a muita gente; que dando occasiões a brigas, matei alguns homens, de que resultou ficarem perdidos os matadores, e os mortos mais perdidos, se não estavão em graça; porque caminhárão para o inferno.

MORALIDADE.


Por esta espada entendo os homens desalmados e mexequeiros, e que enganão a gente moça por máos respeitos, levando-a a casas de jogo e outras peiores, desviando-os da obediencia de seus paes; porque estes matão mil vezes famas, honras, fazendas alheias, e tambem vidas e almas dos com que tratão juntamente.