Fabulas de Esopo/O Cervo, o Lobo e a Ovelha

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
O Cervo, o Lobo e a Ovelha


FABULA XXXVI.

O Cervo, o Lobo e a Ovelha.

Demandava o Cervo á Ovelha falsamente certo trigo, que dizia haver-lhe emprestado. A Ovelha podera negar-lho, mas receou, porque estava hum Lobo de companhia com o Veado, e assim com dissimulação lhe disse: Rogo-te, por tua vida, que esperes alguns dias,e então averigoaremos nossas contas, que eu te pagarei quanto te dever. Foi contente o Cervo. Porém tanto que ambos se encontrárão sem o Lobo estar presente, a Ovelha o desenganou, que nem lhe devia trigo, nem lho havia de pagar.

MORALIDADE.

Contem esta Fabula hum aviso proveitoso, que póde servir-nos quando alguem porfia contra nós em presença de nossos inimigos; que então he prudência dilatar a vida, até nos vêrmos em tempo que possamos livremente defender nossa opinião, como fez aqui a Ovelha, sem temor de Lobos inimigos roazes.