Fabulas de Esopo/O Falcão e o Rouxinol

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
O Falcão e o Rouxinol


FABULA XLIV.


O Falcão e o Rouxinol.

O Falcão huma manhã se apossou do ninho, onde o Rouxinol tinha seus filhos e quiz matalos. Começou o Rouxinol com muita brandura a rogar-lhe que não os matasse e que o serviria. Disse o Falcão que era contente se cantasse de modo que satisfizesse. Começou o triste Rouxinol a cantar muito sentido e suave. Porém o Falcão mostrando-se descontente da musica, começou a comelos. Chega nisto por detraz hum caçador, e lança ao Falcão hum laço, em que o prendeo e o levou a rasto, e o Rouxinol ficou livre.

MORALIDADE.

Por este Falcão se significão os tyrannos e desalmados, que por nenhumas razões, ainda que mui justificadas, desistem de aggravar aos que podem pouco; mas neste entremeio chega a Justiça divina, que os caça no laço da morte, e os lança no inferno, e muitas vezes para consolação dos bons os afflige nesta vida visivelmente com pena temporal.