Fantina/XXIX

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XXIX
por Francisco Badaró


Ás seis horas as rabecas chiavam no vasto salão da fazenda.

Placas pelos portaes cora velas de espermacete, muito compridas, parecendo uma columna derrocada, davam uma claridade mansa.

Frederico apesar de bisonho em danças serias, comtudo havia de dar uma corrida com a noiva. Quando o voltear das quadrilhas começou com cerca de vinte pares, Fantina foi para juncto de Daniel.

E emquanto os cavalheiros, de fraques curtos, parecendo por detraz uma thesoura em movimento, gravatas muito pintadas e cora uma volta só, calças brancas, rugidoras e curtas, deixando apparecer o elastico esfrangalhado das botinas, diziam coisas amaveis e faziam tregeitos truanescos, de marionetes em operetas bufas ; Fantina e Daniel choravam.

Aquella comparava a sua sorte e condição com as daquellas pessoas que folgavam, este lamentava não poder leva-la até onde chegavam seus arrojados pensamentos . A's tres horas ainda dançavam ; porem, a maior parte dos convidados, estirados pelas camas e bancos, recuperavam o alento perdido em duas noites de vigília.

Frederico foi para o thalamo sellar o pacto ; mas aos carinhos da esposa elle preferia estar no batuque, que estrugia na cosinha. Quando os cantares livres, repassados de amabilidades libidinosas chegam-lhe aos ouvidos, elle revolvia-se no leito como Procusto. Com grandes houfs accusava o calor.

Ao o outro dia, á excepção da collega de D. Luzia, a que criava os afilhados do cura, todos os convidados tinham partido.


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