Fantina/XXXV 2

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XXXV
por Francisco Badaró


Dois annos depois em uma ruella muito immunda, onde atiravam o lixo, via-se uma mulher de physionomia asquerosa, coberta de andrajos lamacentos, bebeda, insultar os transeuntes e gritar obcenidades porcas.

Por uma manhã chuvosa e fria, quando corriam pelo ar as cantilenas tristes da ventania melancholica, ouviu-se como um dies irœ a voz de uma creança débil e clorotica berrando :

— Mamãe Fantina ! mamãe Fantina !

Era Julia que chorava porque a mãe tinha amanhecido morta. Passados dias, um taverneiro sentindo o esvoaçar dos corvos avisou á policia, e encontraram um cadaver em dessoração e todo roido dos vermes, que caiam como bagos de chumbo.

A' tarde, sentado na saleta da Silveria, Frederico viu passar um esquife nos hombros de dois galés.

— Quem morreu ? disse elle.

— Foi a pobre que os urubus descobriram. Chamava-se Fantina.

Frederico chegando fogo ao cigarro, e deitando a cabeça no collo da Silveria, disse :

— Se ella não fosse tão tola podia ter vivido mais tempo.

FIM


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