Fuy ver a hum Menino

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Fuy ver a hum Menino
Vilancete publicado em Villancicos que se cantaram na Cappella Real do muy alto, & muy poderoso Rey D. Pedro II. Nosso Senhor nas matinas, & festa do Natal no ano de 1685 (como villancico II); Villancicos que se cantaram na Cappella Real do muy alto e muy poderoso Rey D. Pedro II. Nosso Senhor nas matinas, & festa do Natal no ano de 1695 (como villancico VI) e em Villancicos que se cantaram na Capella Real do muy alto, e muy poderoso Rey D. Pedro II. N. Senhor Nas matinas, & festa do Natal no ano de 1703 (como villancico IV). Consulte também: Fui ver a um menino com ortografia atualizada.



Fuy ver a hum Menino,
E vi a hum Gigante,
Que de amor os olhos,
Tudo fazem grande.

Em chegando a velo,
Sem equivocarme,
Hum Rey vi, mas era
Hum Rey muy Infante.

Purpura veſtia,
Quando eſtava em carne,
Que enroupado treme,
E ſem roupas arde.

Partiaſe a noyte,
E era huma ametade,
Mais clara, que o dia,
Que o meſmo Sol parte.

Eſtava o Menino
Com ſilencio grave,
Como homem falando,
Por boca do Padre.

Viome, & conheceome,
Que em taõ tenra idade,
Vè mais do que os linces,
Mais que os homens ſabe.

Sorrioſe em me vendo,
Com tanto donayre,
Que amantes faria
Dos meſmos diamantes.

A velo, paſtores,
Que o mais he de balde,
Quem o vè tem glorias,
E quem não, peſares.

Eſtribillo.

Que me matem Senhores,
Ay, que me matem,
Se não he o Menino,
Huma Divindade.

Coplas.

Quem não tem principio
Ver hoje que nace!
Quem nos Ceos não coube,
Ver adonde cabe!

Fazerſe pequeno,
Quem he todo grande!
Ter berço de palhas
Quem piza diamantes!

Eſtar aos rigores
Do tempo inconſtante,
Quem governa os tempos
E as eternidades!

Quem he taõ Divino,
Querer humanarſe,
Deyxando as alturas
Pelas humildades!

Eſtribillo.

Que me matem Senhores,
Ay, que me matem,
Se não he o Menino,
Huma Divindade.