Hoje pó, ontem Deidade soberana

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Hoje pó, ontem Deidade soberana,
Ontem sol, hoje sombra, ó Senadores,
Lises imperiais enfim são flores,
Quem outra cousa crê, muito se engana.

Nas cinzas, que essa urna guarda ufana,
Vejo, que os aromáticos licores
são de seu mortal ser descobridores,
Porque, o que a arte esconde, o juízo alhana.

A Real Capitânia submergida!
Olhos à gávea, ó tu Naveta ousada,
Que ao mar te engolfas de ambição vencida:

Pois em terra a Real está encalhada,
Alerta, altos Baixéis, porque anda a vida
Da mortal tempestade ameaçada.