Ite missa est

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Ite missa est
por Machado de Assis
Poema publicado em Falenas.

Fecha o missal do amor e a benção lança
     Á pia multidão
Dos teus sonhos de moço e de criança;
     A benção do perdão.
Sôa a hora fatal, — reza contrito
     As palavras do rito:
     Ite missa est.

Foi longo o sacrificio; o teu joelho
     De curvar-se cansou;
E acaso sobre as folhas do Evangelho
     A tua alma chorou.
Ninguem vio essas lagrimas (ai tantas!)
     Cahir nas folhas santas.
     Ite missa est.

De olhos fitos no céo rezaste o credo,
     O credo do teu deos;
Oração que devia, ou tarde ou cedo,
     Travar nos labios teus.
Palavra que se esvai qual fumo escasso
     E some-se no espaço.
     Ite missa est.

Votaste ao céo, nas tuas mãos alçada,
     A hostia do perdão,
A victima divina.....e profanada
     Que chamas coração.
Quasi inteiras perdeste a alma e a vida
     Na hostia consumida.
     Ite missa est.

Pobre servo do altar de um deos esquivo

     É tarde; beija a cruz;
Na lampada em que ardia o fogo activo,
     Vê, já se extingue a luz.
Cubra-te agora o rosto macilento
     O véo do esquecimento.
     Ite missa est.