Já não posso ser contente (Diogo Bernardes)

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(Já não posso ser contente)
por Diogo Bernardes e Maria de Portugal, duquesa de Viseu
O mote é tradicionalmente atribuído a Maria de Portugal, duquesa de Viseu. [1] Poema agrupado posteriormente e publicado em Flores do Lima e A infanta D. Maria de Portugal e suas damas

Já não posso ser contente,
tenho a esperança perdida.
Ando perdida entre a gente,
nem mouro, nem tenho vida.


Prazeres que tenho visto,
onde se foram? qu’é d’elles?
Fôra-se a vida co’elles!
Não me vira agora nisto!
Vejo-me andar entr’a gente
Como cousa esquecida:
Eu triste, outrem contente,
Eu sem vida, outrem com vida.

Vieram os desenganos,
acabaram os receios:
Agora choro meus danos
e mais choro bens alheios:
passou o tempo contente,
e passou tão de corrida
que me deixou entr′ a gente
sem esperança de vida.

Notas[editar]

  1. MICHAËLLIS, Carolina. A infanta D. Maria de Portugal e suas damas. Porto: 1902. p. 57.