Lágrimas de saudade (Cancioneiro de Paris)

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Lágrimas de saudade
por Anónimo
Cantiga renascentista portuguesa do Cancioneiro de Paris.


Lágrimas de saudade,
Vinde, não vos detenhais,
Pois tardando me matais.

Conto perder a tardada,
Pois por meu mal sois meu bem,
Meus males tenho em nada,
Quando tal descanso tem.
Não me conforte ninguém,
Em quanto me vos tardais,
Pois tardando me matais.

Minh'alma contente está,
Que para os males cessarem,
Quando as lágrimas tardarem,
A morte não tardará.
Mas, oh, se viesse já,
Pois vós lágrimas tardais,
Sem olhar que me matais.

Vede qual devo eu estar,
Ou que tal foi minha sorte,
Pois hei de esperar a morte,
Quando meu choro tardar.
Olhos se com vós chorar,
Minhas fadigas curais,
Dizei porque não chorais.