Lucinda

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Lucinda
por Almeida Garrett
Poema publicado em Folhas Caídas


Ergue a frente, lírio,
Ergue a branca frente!
O astro do delírio
Já surgiu no oriente.

Vês, o sol ardente
Lá caiu no mar;
A frente pendente
Ergue a respirar!

Alvo é o luar,
Teu alvor não cresta;
A hora de gozar,
De viver é esta.

Longa foi a sesta,
Longo o teu dormir;
Ergue a branca testa,
Tempo é de surgir!

Já se abre a sorrir
Tua boca linda...
Despertar, sentir
Ou sonhar é ainda?

Sonho que não finda
Será o teu sonhar,
Se a dormir, Lucinda,
Te sentes amar.