Memorial de Aires/1888/LXXXVIII

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Memorial de Aires por Machado de Assis
1888, 9 de setembro


O resto é a noticia de ter chegado Osório, o advogado do Banco do Sul, que foi há tempos ao Recife, onde o pai estava doente e morreu.

— Voltou triste, e o luto ainda o faz mais triste, disse Aguiar.

— Será só a morte do pai? perguntei.

— Que mais pode ser?

— Não me disseram, ou eu adivinhei que ele andava meio apaixonado por D. Fidélia...?

— Andava, sim, e talvez mais que meio, explicou Aguiar, mas já lá vai naturalmente.

— Em todo caso não se lhe declarou?

— Com o gesto, é possível; ela tacitamente recusou, e foi pena; ambos se merecem.

Aguiar louvou as qualidades profissionais do moço, a educação e as virtudes. Acreditei tudo, como era do meu dever, e aliás não tinha razão para duvidar de nada. D. Carmo confirmou as palavras do marido, sem afirmar que era pena não se terem casado. Calou esse ponto, e foi mais discreta que ele. Pode ser que nele falasse também o gerente do banco. Tristão durante esse tempo folheava um livro de gravuras.

Digo que eram gravuras, porque me fui despedir dele, que se levantou logo, com grande cortesia; mas de longe pensei que fosse o álbum de retratos. Não era; o álbum estava ao pé, aberto justamente na página em que figuram as duas fotografias de Carmo e do marido. Tristão deixou também aberto o livro das gravuras e veio comigo à porta, acompanhando Aguiar, e ali me despedi de ambos.