Minina dos olhos verdes (Cancioneiro de Paris)

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Minina dos olhos verdes
por Anónimo e Luís Vaz de Camões
Cantiga renascentista portuguesa do Cancioneiro de Paris. A última volta é de autoria de Luís Vaz de Camões.


Minina dos olhos verdes
Porque me não vedes?

Vede-me, senhora,
Olhai que vos vejo,
E que meu desejo
Crece de hora em hora.
Serdes crua agora
Não é d’olhos verdes,
Pois que me não vedes.

Olhai que padeço
Por vossos amores;
Olhai minhas dores,
Vede o que vos peço;
Olhos que eu conheço,
Graciosos e verdes,
Porque me não vedes?

Eles verdes são,
E têm por usança
Na cor esperança,
E nas obras não;
Vossa condição
Não é d’olhos verdes,
Pois que me não vedes.