Sonetos (Antero de Quental, 1880)/Mors liberatrix

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Mors liberatrix
por Antero de Quental
Poema publicado em Sonetos (1880).
MORS LIBERATRIX

Na tua mão, sombrio cavalleiro,
Cavaleiro vestido de armas prêtas,
Brilha uma espada, feita de comêtas,
Que rasga a escuridão, como um luzeiro.

Caminhas no teu curso aventureiro,
Todo involto na noite que projectas...
Só o gladio de luz com fulvas bétas
Emerge do sinistro nevoeiro.

— «Se esta espada que empunho é coruscante,
(Responde o negro cavalleiro-andante)
É porque esta é a espada da Verdade.

Firo, mas salvo... Prostro e desbarato,
Mas consólo... Subverto, mas resgato...
E, sendo a Morte, sou a Liberdade.»