Não tragais borzeguis pretos

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Não tragais borzeguis pretos
por Anónimo
Cantiga renascentista portuguesa do Cancioneiro de Paris.


Não tragais borzeguis pretos,
que na corte são defesos.
ora com borzeguis pretos!

Não tragais o qu'é defeso,
porque quem trae o vedado,
anda sempre aventurado,
a ser avexado e preso.
verem-vos andar aceso,
ora em cuidados secretos,
ora com borzeguis pretos!

E se saber a razão
deste meu trago quereis:
a cor que trago nos pés
me deu do coração.
porque os meus cuidados,
acesos e mais secretos,
e na má ventura pretos!