Num dia próprio a liberalidades

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Ao governador Antonio Luiz Glz. da Camara Coutinho em dia de reys obsequea o poeta pedindolhe em nome de hum amigo huma daquellas esmollas, que sua magestade consigna do Real Thesouro cada hum anno para os homens de bem, a que chamão mercé ordinária.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsHomens de Bem

Num dia próprio a liberalidades,
No qual o Rei dos Reis aos Reis aceita,
Não é muito, que quem Rei vos respeita,
Vos troque a Senhoria em majestades.

Obriga-me a pedir calamidades
A que o meu fado triste me sujeita,
Obriga-vos a dar a mão perfeita,
Com que sabeis matar necessidades.

Chegaram hoje os Reis do diversório
A tributar incenso, mirra, e ouro,
Fazendo do presépio um oratório:

Se guiou aos três Reis Planeta Louro,
Guie-me a minha estrela o peditório,
Com que na vossa mão ache um tesouro.