Olhos que andais agravados

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Olhos que andais agravados
por Anónimo
Cantiga renascentista portuguesa do Cancioneiro de Paris.


Olhos que andais agravados
De ver males sem rezão,
Dormindo e acordados,
chorais minha perdição.
Mor é a paixão
Qu'este choro guia
Que a nout'e dia.

Ao tempo, que tudo gasta,
Inda meus males sobejam,
E nunca nenhum lhes basta
Porque sem nenhum fim sejam,
E que aos olhos vejam
Chorar isto fora
Alma dentro o chora.

A noute passada vim
A sonhar c'um bem passado,
Mas bem era sonho em fim,
Pois meu mal era acordado.
Bem viu o cuidado,
Que o mal não dormia,
Quando o bem trazia.