Americanas/Os Semeadores

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Americanas
Machado de Assis
Os Semeadores
B. L. Garnier (1875). páginas 149-150

OS SEMEADORES[1]


(Seculo XVI)


Eis ahi sabiu o que semêa a semear.
Math. xiii, 3.


Vós os que hoje colheis, por esses campos largos,
          O doce fructo e a flor,
Acaso esquecereis os asperos e amargos
          Tempos do semeador!


Rude era o chão; agreste e longo aquelle dia;
          Com tudo, esses heroes
Souberam resistir na afanosa porfia
          Aos temporaes e aos soes.

Poucos; mas a vontade os poucos multiplica,
          E a fé, e as orações
Fizeram transformar a terra pobre em rica
          E os centos em milhões

Nem somente o labor, mas o perigo, a fome,
          O frio, a descalcez,
O morrer cada dia uma morte sem nome,
          O morrel-a, talvez,

Entre barbaras mãos, como se fora crime,
          Como se fora reu
Quem lhe ensinara aquella acção pura e sublime
          De as levantar ao ceu!

Ó Paulos do sertão! Que dia e que batalha!
          Vencestel-a; e podeis
Entre as dobras dormir da secular mortalha;
          Vivireis, vivireis!



Notas[editar]

  1.     Ill y aurait une fort grande injustice à juger les jesuites du seiziême siêcle et leurs travaux, d′après les idèes que peut inspirerle système suivi dans les missiohs. Lá on peut voir des projets ambitieux s′alher à des vues habiles: dans lespremiers travaux executes par les peres de la compagnie, au Brésil, tout fut desinteresse; et au besoin, le récit de leurs souffrances pourrait le prouver (F. Dènis, Le Brésil).