Os Trabalhadores do Mar/Parte I/Livro VII

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Primeira Parte- Livro Sétimo- IMPRUDÊNCIA DE INTERROGAR UM LIVRO

<Os Trabalhadores do Mar

<Autor:Victor Hugo

Tradução: Machado de Assis

A PÉROLA NO FUNDO DO PRECIPÍCIO[editar]

Minutos depois do curto colóquio com o Sr. Landoys, Gilliatt estava em Saint-Sampson.
Gilliatt ia inquieto até à ansiedade. Que teria acontecido?
Saint-Sampson tinha um rumor de colmeia assustada. Toda a gente estava às portas. As mulheres exclamavam. Muitas pessoas contavam alguma coisa fazendo gestos; as outras agrupavam-se à roda dessas. Ouviam-se estas palavras: Que desgraça! Alguns sorriam. Gilliatt não interrogou ninguém. Não era próprio dele fazer perguntas. Demais ia demasiado comovido para falar a indiferentes. Desconfiava das narrações, preferia saber logo tudo; foi à casa de Lethierry.
A sua ansiedade era tal que nem mesmo teve medo de entrar naquela casa.
Demais, a porta da sala baixa estava escancarada. Na soleira havia um formigueiro de homens e mulheres. Todos entravam; ele entrou.
Entrando, achou encostado à porta o Sr. Landoys, que lhe disse a meia voz:
- Então, já sabe do sucesso?
- Não.
- Eu não quis dizer-lho há pouco do meio da rua. Pareceria correio de desgraças.
- Que foi então?
- Perdeu-se a Durande.
Havia muita gente na sala.
Os grupos falavam baixo, como no quarto de um doente.
Os assistentes, que eram os vizinhos, os viandantes, os curiosos, estavam amontoados ao pé da porta, com uma espécie de receio, e deixavam vazio o fundo da sala onde estava, ao lado de Déruchette lacrimosa e assentada, Mess Lethierry de pé.
Lethierry estava encostado ao tabique do fundo. O boné de marujo caía-lhe nas sobrancelhas; uma mecha de cabelos grisalhos prendia-se-lhe na face. Não dizia nada. Os braços não tinham movimento, a boca parecia não ter alento. Parecia uma coisa encostada à parede.
Ao vê-lo, sentia-se um homem dentro de quem se extinguira a vida. Deixando de existir a Durande, Lethierry já não tinha razão de ser. Tinha uma alma no mar, e essa alma acabava de perecer.
Que faria ele agora? Levantar-se de manhã, deitar-se de noite. Já não podia esperar a Durande, nem vê-la partir nem voltar. O que é um resto de existência sem objeto? Beber, comer, e depois? Aquele homem tinha coroado os seus trabalhos com uma obra-prima, e as dedicações com um progresso. Abolira-se-lhe o progresso, morrera-lhe a obra prima. Para que viver ainda alguns anos vazios? Não tinha mais nada que fazer. Naquela idade não é possível recomeçar; de mais a mais estava arruinado. Pobre velho!
Déruchette, assentada ao pé dele e chorando, tinha entre as suas duas mãos a mão de Mess Lethierry. As dela estavam postas, a de Lethierry apertada. Via-se nisso a diferença daqueles dois abatimentos.
As mãos postas ainda tem, esperança; a apertada nenhuma.
Mess Lethierry abandonava-lhe o braço sem resistência. Estava passivo. Tinha em si apenas aquela porção de vida que pode haver depois do raio.
Há certas descidas ao fundo do abismo que retiram um homem do meio dos vivos. As pessoas que andam em roda são confusas e indistintas; acotovelam-no e não lhe chegam. De parte a parte ficam inacessíveis. A ventura e o desespero não são os mesmos centros respiráveis; o desesperado assiste à vida dos outros, mas de muito longe; ignora quase a sua presença; perde o sentimento da própria existência; que importa ser de carne e osso, o desesperado já se não sente real; já não é ele próprio, é apenas um sonho.
Mess Lethierry tinha o olhar dessa situação.
Cochichavam os grupos.
Cada qual dizia o que sabia.
Eis as notícias:
A Durande perdera-se na véspera nos rochedos Douvres, com o nevoeiro, uma hora antes do por do sol. À exceção do capitão, que não quis deixar o navio, toda a gente salvou-se na chalupa.
Uma borrasca, vinda do sudoeste, depois do nevoeiro, quase fez naufragar a chalupa, e carregou-a para o mar largo, além de Guernesey. De noite tiveram os náufragos a boa fortuna de encontrar o Cashemere, que os recolheu e levou a Saint-Pierre-Port. O culpado de tudo foi o timoneiro Tangrouille, que já estava preso.
Clubin mostrou-se magnânimo.
Os pilotos que abundavam nos grupos pronunciavam estas palavras escolho Douvres de um modo particular. Má hospedaria aquela!, dizia um deles.
Viam-se na mesa uma bússola e um maço de registros e notas; eram sem dúvida a bússola da Durande e os papéis de bordo entregues por Clubin a Imbrancam e a Tangrouille no momento de partir a chalupa; magnífica abnegação desse homem, salvando até os papéis no momento em que ia morrer; minuciazinha cheia de grandeza, esquecimento sublime de si próprio.
Todos eram unânimes em admirar Clubin, e igualmente unânimes em julgá-lo salvo. O cúter Shealtiel chegara poucas horas depois do Cashemere, e esse cúter trazia as últimas informações. Esteve 24 horas nas mesmas águas da Durande. Parou e bordejou durante o nevoeiro e a tempestade. O patrão do Shealtiel estava também na sala de Lethíerry.
No momento em que Gilliatt entrou, acabava ele de fazer a sua narração a Mess Lethierry. Era um verdadeiro relatório. De manhã, tendo cessado a borrasca e acalmado o vento, o patrão do Shealtiel ouviu mugido de bois em pleno mar. Este rumor próprio das campinas, ouvido ali nas vagas, surpreendeu o patrão. Descobriu a Durande nos rochedos Douvres. A calma era suficiente para que ele pudesse acercar-sedos rochedos. Chamou o navio à fala. Só lhe respondeu o mugido dos bois que se afogavam no porão. O patrão do Shealtiel estava certo de que não havia ninguém a bordo da Durande. O casco estava completamente preso; e por mais violenta que fosse a borrasca, devia ter passado a noite de bordo. Não era homem de desanimar facilmente. Não estava de bordo, logo estava salvo.
Muitos sloops e lugres de Granville e Saint-Malo, desprendendo-se do nevoeiro, era fora de dúvida que deviam ter costeado as Douvres.
Evidentemente algum deles recolheu o Capitão Clubin. Devem lembrar- se que a chalupa da Durande estava cheia ao deixar o navio, ia correr perigos, mais um homem poderia fazê-la soçobrar, e foi isso sobretudo o que resolveu Clubin a ficar na Durande; mas, cumprido esse dever, se aparecesse um navio salvador, Clubin não teria dificuldade de aproveitar-se dele. Deve-se ser herói, não se deve ser pascácio. Um suicídio seria tanto mais absurdo quanto que Clubin portara-se com dignidade. O culpado era Tangrouille, não Clubin. Tudo isto era conseqüente; o patrão do Shealtiel tinha razão e toda a gente esperava ver Clubin de um momento para outro. Premeditava-se recebe-lo em triunfo.
Da narração do mestre resultavam duas certezas: Clubin salvo e a Durande perdida.
Quanto à Durande, estava decidido que a catástrofe era irremediável. O patrão do Shealtiel assistira à última fase do naufrágio. O grandíssimo rochedo em que naufragara a Durande resistira ao choque da tempestade, como se quisesse guardar consigo o navio; mas de manhã, no momento em que o Shealtiel, verificando que não havia ninguém para salvar, afastava-se da Durande, houve um desses movimentos de mar que são como os últimos arrancos da cólera das tempestades. Essa onda levantou furiosamente a Durande, arrancou-a do cachopo, e com a rapidez e a retidão de uma flecha disparada, atirou-a entre as duas rochas Douvres.
Ouviu-se um estalo diabólico, dizia o patrão. A Durande, levada pela vaga a uma certa altura, meteu-se entre as rochas. Estava outra vez pregada, mas desta vez mais solidamente que no escolho submarino. Ficou aí deploravelmente suspensa, exposta a todo o vento e a todo mar.
A Durande, no dizer da equipagem do Shealtiel, já estava quase toda despedaçada. Teria soçobrado, com certeza, de noite, se o cachopo não estivesse. O patrão do Shealtiel com o seu óculo, estudou o casco. Descreveu o desastre com precisão marítima; o lado de estibordo estava roto; os mastros truncados, o velame sem tralhas, as correntes quase todas cortadas, as sangadilhas cortadas o mais rente possível desde o meio do mastro até acima; o lugar dos viveres arrombado, os cavaletes da chalupa destruídos, a árvore do leme rota, os cabos despregados, os paveses arrasados, a antena do mesmo modo, o cadaste quebrado. Era a devasta ção frenética da tempestade. Quanto ao guindaste do carregamento, preso ao mastro de proa, já não existia, não havia notícia dele, completamente limpo, levaram-no os diabos, com todas as roldanas, polés e correntes. A Durande estava deslocada; a água começava agora a despedaçá-la. Dentro de alguns dias nada mais restaria dela.
E contudo a máquina, coisa notável, e que provava a sua perfeição, sofreu pouco com a tempestade. O patrão do Shealtiel afirmava que a manivela não teve avaria grave. Os mastros do navio cederam, mas o cano da máquina resistiu. Os baluartes de ferro do lugar do comando estavam apenas torcidos; as caixas das rodas sofreram, mas as rodas pareciam não ter um só raio de menos. A máquina estava intata. Era a convicção do patrão do Shealtiel. O maquinista Imbrancam, que estava entre os grupos, partilhava esta convicção. Aquele negro, mais inteligente que muitos brancos, era o admirador da máquina. Levantava os braços abrindo os dez dedos das suas mãos negras, e dizia a Lethierry mudo: Meu amo, a máquina está viva.
O salvamento de Clubin parecia coisa segura, o casco da Durande estava sacrificado; a conversação dos grupos recaiu sobre a má- quina. Interessavam-se por ela, como se fosse uma Pessoa. Todos admiravam o bom procedimento da máquina. Sólida comadre aquela , dizia um marinheiro francês. É, fica!, exclamava um pescador guernesiano. Deve ter sido muito astuciosa, acrescentava o patrão, para escapar apenas com alguns arranhões.
A pouco e pouco tornou-se a máquina a preocupação única. Animou as opiniões pró e contra. Tinha amigos e inimigos. Mais de um, que tinha algum velho cúter de vela, e esperava apanhar a freguesia da Durande, alegrou-se por ver o escolho Douvres fazer justiça à nova invenção. O cochicho tomou-se algazarra. Discutia-se com barulho. Era contudo um rumor discreto, que de quando em quando se calava sob a pressão do silêncio sepulcral de Lethierry.
Do colóquio havido em todos os pontos resultava isto:
A máquina era o essencial. Refazer o navio era possível, não a máquina. Era única. Para fabricar outra faltavam o dinheiro e o fabricante. Lembram-se de que o construtor tinha morrido. Custou 40 000 francos. Ninguém arriscaria agora aquele capital naquela eventualidade; tanto mais quanto acabava de provar-se que os e vapores naufragam como navios de vela; o acidente atual da Durande metia a pique o seu passado sucedimento. E era doloroso pensar que naquele momento a máquina ainda estava em bom estado, e que, antes de cinco ou seis dias, ficaria despedaçada como o navio. Enquanto existia a máquina, podia dizer-se que não havia naufrágio. Só a perda da máquina era irremediável. Salvar a máquina era reparar o desastre.
Salvar a máquina é fácil dizê-lo. Mas quem ousaria? Era acaso possível? Dizer e executar são coisas diferentes, e a prova é que é fácil formular uma aspiração e difícil. Executá-la. Ora, se houve jamais um sonho impraticável e insensato era este: salvar a má- quina encalhada nas Douvres. Mandar trabalhar naquelas rochas um navio e uma equipagem. seria absurdo; não se devia pensar nisso. Era a estação dos temporais: ao primeiro que houvesse, rasgavam-se as correntes das amarras nas pontas submarinas e o navio despedaçava-se. Era mandar um naufrágio em socorro do primeiro. Na espécie de buraco da planura superior onde se abrigara o náufrago legendário morto de fome, mal havia lugar para um homem. Era preciso, pois, que, para salvar essa máquina, fosse um homem aos rochedos Douvres, e que fosse sozinho, só naquele mar, só naquele deserto, só a 5 léguas da costa, naquele medo, só durante semanas inteira. Diante do previsto e do imprevisto, sem angústias da privação, sem socorro nos incidentes d desgraça, sem outro vestígio humano que o do antigo náufrago morto ali, sem outro companheiro além daquele finado.
E como salvaria ele a máquina? Era preciso que fosse, não somente marujo, senão também ferreiro. E quantas dificuldades! O homem que o tentasse seria mais que um herói. Seria um louco.
Porquanto, em certos cometimentos despropósito nados, onde parece necessário o sobre-humano, a bravura tem acima de si a demência. E, com efeito, sacrificar-se porem iria um pouco de ferro não era extravagante? Não, aos rochedos Douvres. Devia-se renunciar à máquina do mesmo modo que 4o navio. O salvador que era preciso não aparecia. Onde encontrar esse homem?
Isto, dito de outro modo, era o fundo das conversas murmuradas daquela multidão.
O patrão do Shealtiel, que era um antigo piloto, resumiu o pensamento de todos exclamando em alta voz:
- Não! Está acabado. Não existe um homem capaz de ir buscar a máquina! - Se eu não vou - disse Imbrancam - é que é impossível ir.
O patrão do Shealtiel sacudiu a mão esquerda com aquele arrebatamento que exprime a convicção do impossível, e repetiu:
- Se existisse. .
Déruchette voltou a cabeça.
- Casava-me com ele.
Houve um silêncio.
Um homem pálido saiu do meio dos grupos e disse:
- A senhora casava-se com ele, Miss Déruchette?
Era Gilliatt.
Entretanto, todos levantaram os olhos. Mess Lethierry endireítou-se.
Tinha nos olhos uma luz estranha.
Tirou o boné e lançou ao chão, depois olhou solenemente para frente sem ver pessoa alguma e disse:
- Déruchette casava-se com esse homem. Dou a minha Palavra de honra a Deus.

GRANDE ESPANTO NA COSTA OESTE[editar]

A noite desse dia, das 10 horas em diante, devia ser noite de luar.
Todavia, qualquer que fosse a boa aparência da noite, do vento e do mar, nenhum pescador estava disposto a sair nem de Hougue La Perre, nem de Bordeaux, nem de Houmet Benet, nem de Platon, nem de Port-Grat, nem da baía Vason, nem de Perelle: Bay, nem de Pezeris, nem de Tielles, nem da baia dos Santos, nem de Petit Bô, nem de nenhum outro porto ou angra de Guernesey. E isso por uma razão simples: o galo tinha cantado ao meio-dia.
Quando o galo canta a uma hora extraordinária, não há peixe.
Nesse dia, pois, ao cair da tarde, um pescador que voltava a Omptolle teve uma surpresa. Na altura de Houmet Paradis, além de Brayes e Grunes, tendo à esquerda a baliza de Plattes Fougéres, que representa um funil virado, e à direita a baliza de Saint- Sampson, que representa uma figura de homem, o pescador acreditou ver uma terceira baliza. Que baliza era essa? Quando foi posta ali? Que banco indicava ela? A baliza respondeu logo a estas interrogações; mexeu-se; era um mastro. Não diminuiu o espanto do pescador. Baliza era para admirar; mastro ainda mais. Não havia pesca possível. Quando todos voltavam, porque saía aquele? Quem era? Por que?
Dez minutos depois, o mastro, caminhando lentamente, chegou a pouca distância do pescador de Omptolle. Este não pode reconhecer o barco. Ouviu remar. O ruído era de dois remos. Provavelmente era um homem só. O vento era norte; o homem navegava evidentemente para ir tomar o vento além da ponta Fontenelle. Aí era natural que abrisse a vela. Contava pois dobrar o Ancresse e o monte Crevel. Que queria dizer aquilo?
O mastro passou; o pescador foi para terra.
Nessa mesma noite, na costa oeste de Guernesey, observadores de ocasião disseminados e isolados fizeram alguns reparos a horas diversas e em diversos pontos.
O pescador de Omptolle acabava de amarrar o barco, quando um condutor de sargaço, a meia milha distante, chicoteando os animais na estrada deserta de Clotures, perto do Cromleche, nos arredores dos martelos 6 e 7, viu no mar, um tanto longe, em lugar pouco freqüentado, porque é preciso conhece-lo bem, do lado da Roque-Nord e da Sablonneuse, um barco içando uma vela. Deu pouca atenção, pois que era homem de carro e não de barco.
Meia hora depois, um estucador que voltava da cidade e contornava a lagoa de Pelée achou-se repentinamente quase em face de um barco que penetrara audaciosamente entre as rochas do Quenon, da Rousse de Mer, e da Gripe de Rousse. A noite era negra, mas o mar estava claro, efeito que se produz muitas vezes, e podia-se distinguir ao largo os navegantes. Só havia no mar aquele barco.
Mais abaixo e mais tarde, um pescador de lagostas, dispondo as suas tendas no areal que separa o Port Soif do Port Enfer, não compreendeu o que faria um barco que passava entre a Boue Comeille e a Moulrette. Era preciso ser bom piloto e ter pressa de chegar a algum lugar para arriscar-se a passar ali.
Sendo 8 horas no Catel, o taveneiro de Cobo Bay observou, com algum espanto, uma vela além da Boue do Jardim e das Grunettes, mui perto da Suzanne e dos Grunes do Oeste.
Não longe do Cobo Bay, na ponta solitária do Houmet da baía Vason, estavam dois namorados a despedir-se e a reter-se um ao outro; foram distraídos do último beijo por um vasto barco que passou por perto deles e dirigia-se para as Menellettes.
O Sr. Le Peyre des Norgiots, morador em Catellon Pipet, estava examinando, às 9 horas da noite, um buraco feito por larápios na cerca da sua horta, e ao mesmo tempo que averiguava os estragos, não pode deixar de observar um barco dobrando temerariamente o Croce-Point àquela hora.
No dia seguinte ao de uma tempestade, com o resto de agitação que sempre fica no mar, aquele itinerário era pouco seguro, a menos que se não saiba de cor todos os passos. As 9 horas e meia, no Equerrier, um pescador levando a rede, parou algum tempo para ver entre Colombelle e Soufleresse alguma coisa que devia ser um barco e que se expunha muito ao tempo. Há ventos perigosos nesse lugar. A rocha Soufleresse é assim chamada porque sopra constantemente os barcos que passam.
Ao levantar da lua, estando a maré cheia, e havendo pleno mar no estreito de Li-Hou, o guarda solitário da ilha de Li-Hou assustou-se ao ver passar entre a lua e ele uma longa forma negra. Esta forma ia resvalando lentamente por cima das espécies de paredes que formam os bancos da rocha. O guarda de Li-Hou pensou ver a Dama Negra.
A Dama Branca habita o Tau de Pez d'Amont, a Dama Cinzenta habita o Tau de Pez d'Aval, a Dama Vermelha habita a Lilleuse ao norte do Baric-Marquis, e a Dama Negra habita o Grand-Etacré ao este de Li-Houmet. Ao clarão da lua todas essas damas saem e encontram-se às vezes.
Rigorosamente essa forma negra podia ser uma vela. As longas fileiras de rochas sobre as quais parecia que a vela andava, podiam com efeito esconder o casco de um barco vogando atrás de si, deixando ver apenas a vela. Mas o guarda perguntou a si próprio que barco ousaria arriscar-se àquelas horas entre Li-Hou e a Pecheresse, e as Angullières e Lerée-Point. E com que fim? Pareceu-lhe mais provável que fosse a Dama Negra.
Estando a lua já acima da torre de Saint-Pierre-du-Bois, o sargento de Rocquaine levantou metade da escada da ponte levadiça e distinguiu na foz da baía, mais perto que a Sambule, um barco a vela que parecia descer de norte a sul.
Existe na costa sul de Guernesey, atrás do Plaininont, no fundo de uma baía, toda precipícios e muralhas, cortado a pique na onda, um porto singular que um francês, residente na ilha desde 1844, talvez o mesmo que escreve agora estas linhas, batizou com o nome de porto do quarto andar, nome geralmente adotado hoje.
Esse porto que então se chamava a Moie, é uma planura de rocha meio natural, meio talhada, de 40 pés de altura acima da água, e comunicando com as vagas por duas grandes pranchas em plano inclinado. Os barcos içados à força de braços por correntes e roldanas, saem ao mar e descem ao longo dessas pranchas que são dois trilhos. Para os homens há uma escada. Esse porto era então muito freqüentado pelos contrabandistas. Sendo pouco praticável, era-lhes cômodo.
Pelas 11 horas, alguns trapaceiros, talvez os mesmos com quem Clubin contava, estavam com os seus fardos na Moie. Quem trapaceia, espia; eles espiavam. Admiraram-se de ver uma vela desembocando repentinamente além das linhas negras do cabo Plainmont. O luar estava claro. Os contrabandistas espreitavam a vela, receando que fosse algum guarda-costa colocar-se de emboscada atrás do grande Hanois, mas a vela passou os Hanois, deixou atrás de si a noroeste a Boue Blondil, e mergulhou-se ao largo nas brumas lívidas do horizonte.
- Aonde diabo vai aquela barca? - disseram os contrabandistas.
Na mesma noite, pouco depois de por o sol, ouviu-se alguém bater na porta da casa mal-assombrada em que morava Gilliatt. Era um rapaz vestido de escuro, com meias amarelas, o que indicava ser sacristão. A casa estava fechada, porta e postigos. Uma velha pescadora de frutos do mar, passeando pelo banco, com uma lanterna na mão, chamou o rapaz, e trocaram-se estas palavras entre eles:
- Que quer você?
- O hhhhhhooomem daqui.
- Não está aqui.
- Onde está?
- Não sei.
- Virá amanhã?
- Não sei.
- Foi-se embora daqui?
Não sei.
É que o novo cura da paróquia, o Reverendo Ebenezer Caudray, queria fazer-lhe uma visita.
- Não sei.
- O reverendo mandou-me saber se o homem estava em casa amanhã de manhã.
- Não sei.

NÃO TENTEIS A BÍBLIA[editar]

Nas 24 horas que se seguiram, Mess Lethierry não dormiu nem comeu, nem bebeu, beijou a testa de Déruchette, informou-se de Clubin, do qual ainda não havia notícias, assinou um papel declarando que não pretendia dar queixa, e fez soltar Tangrouille.
Ficou, todo o dia seguinte, meio encostado à mesa do escritório da Durande, nem assentado nem de pé, respondendo com brandura a quem lhe falava. Demais, estando satisfeita a curiosidade, ficou solitária a casa de Lethierry. Há muitos desejos de observar na solicitude de lamentar. Fechara-se a porta; deixava-se Lethierry com Déruchette. O relâmpago que passara nos olhos de Lethierry estava extinto; voltara-lhe o olhar lúgubre do começo da catástrofe.
Déruchette, assustada, foi caladinha, conselho de Graça e Doce, colocar ao lado dele, na mesa, um par de meias que Lethierry tecia quando a triste notícia chegou.
Lethierry sorriu amargamente e disse:
- Então pensam que não tenho juízo?
Depois de um quarto de hora de silêncio, acrescentou:
- Estas manias são boas quando a gente é feliz.
Déruchette tirou o par de meias, e aproveitou a ocasião para tirar também a bússola e os papéis de bordo, que Mess Lethierry contemplava demasiadamente.
De tarde, um pouco antes da hora do chá, a porta abriu-se e entraram dois homens, vestidos de preto, um velho, e outro moço.
O moço já foi visto no curso desta narração.
Tinham ambos um ar grave, mas de gravidade diferente; o velho tinha aquilo que se pode chamar gravidade de profissão; o mancebo tinha a gravidade da natureza. A primeira vem do hábito, a segunda nasce do pensamento.
Eram, como indicava o traje, dois padres, pertencendo ambos à religião estabelecida.
O que se notava desde logo no mancebo era que a gravidade, profunda no olhar, e resultando do espírito, não nascia absolutamente da pessoa. A gravidade admite a paixão, exala-a, purificando- a, mas aquele mancebo era, antes de tudo, lindo. Sendo padre, devia ter ao menos 25 anos; parecia ter dezoito. Apresentava uma harmonia e um contraste, isto é, tinha uma alma que parecia feita para a paixão e um corpo que parecia feito para o amor. Era loiro, rosado, fresco, delicado e flexível, apesar do vestuário severo, com faces de donzela e mãos delicadas; embora reprimido, tinha o gesto vivo e natural. Tudo nele era encanto, elegância e quase volúpia. A beleza de seu olhar corrigia esse excesso de graça. O sorriso sincero, que deixava ver uns dentes de criança, era pensativo e religioso. Era a gentileza de um pajem e a dignidade de um bispo.
Debaixo dos espessos cabelos loiros, tão dourados que pareciam garridos, tinha ele um crânio elevado, cândido e bem feito. Uma leve ruga de inflexão dupla, entre as duas sobrancelhas, despertava confusamente a idéia da ave do pensamento pairando, com as asas abertas, no meio daquela fronte.
Sentia-se, ao vê-lo, uma dessas criaturas benévolas, inocentes e puras, que progridem em sentido inverso da humanidade vulgar, a quem a ilusão torna sábias e a experiência entusiastas.
A mocidade transparente deixava ver a maturidade interior. Comparado ao padre de cabelos grisalhos que o acompanhava, à primeira vista, parecia filho, reparando-se bem, parecia pai.
Era este o Dr. Herodes. O Dr. Herodes pertencia à alta Igreja, que é pouco mais ou menos um papismo sem papa. O anglicanismo nessa época era agitado pelas tendências que depois se afirmaram e condensaram no puseismo. O Dr. Jaquemin Herodes era desse matiz anglicano, que é quase uma variação romana. Era alto, correto, delgado e superior. O raio visual interior mal se distinguia de fora. O seu espírito era cingir-se à letra. De mais a mais era altivo. Enchia com a sua pessoa o lugar que ocupava. Parecia menos um reverendo que um monsenhor. A casaca era talhada à moda de sotaina. Em Roma é que ele estaria bem. Nascera para ser prelado da Câmara. Parecia ter sido criado expressamente para ser ornamento do papa, e ir atrás da cadeira gestatória, com toda a corte pontifícia, in abito paonazzo. O acidente de ter nascido inglês e uma educação teológica mais voltada para o Antigo Testamento que para o Novo fizeram com que lhe falhasse esse destino.
Todos os seus esplendores resumiram-se nisto: ser cura de Saint-Pierre-Port, decano da ilha de Guernesey e sub-rogado do bispo de Winchester. Não há dúvida que era glória tudo isso.
Essa glória não impedia que o Sr. Jaquemin Herodes fosse um bom homem.
Como teólogo, dispunha da estima dos conhecedores e fazia quase autoridade em Arches, que é a Sorbonne da Inglaterra.
Tinha um ar douto, um piscar de olhos apto e exagerado, narinas cabeludas, dentes visíveis, o lábio inferior fino e o lábio superior espesso, muitos diplomas, uma gorda prebenda, amigos barões, a confiança do bispo, e continuamente trazia uma Bíblia na algibeira.
Mess Lethierry estava tão completamente absorto, que tudo quanto pode produzir nele a entrada dos dois padres, foi um imperceptível enrugar de sobrancelhas.
O Sr. Jaquemin Herodes aproximou-se, cumprimentou, recordou em poucas palavras, sobriamente altivas, a sua recente promoção e disse que vinha, segundo o uso, apresentar aos notáveis, e a Mess Lethierry especialmente, o seu sucessor na paróquia, o novo cura de Saint-Sampson, o Reverendo Joe Ebenezer Caudray que daí em diante seria o pastor de Mess Lethierry.
Déruchette levantou-se.
O padre moço, que era o Reverendo Ebenezer, inclinou-se.
Mess Lethierry olhou para o Sr. Ebenezer Caudray, e mastigou entre dentes estas palavras: Mau marinheiro.
Graça apresentou cadeiras. Os dois reverendos assentaram-se perto da mesa.
O Dr. Herodes começou um speech. Tinha sabido de um acontecimento.
Naufragara a Durande. Vinha, como pastor, trazer consola- ção e conselho. O naufrágio era uma desgraça, mas era também uma felicidade. Sondemo-nos; não nos inchava a prosperidade?
As águas da felicidade são perigosas. Não se deve tomar as desgraças à má parte. Os caminhos do Senhor são desconhecidos.
Mess Lethierry estava arruinado. Pois ser opulento é estar em perigo. Aparecem amigos falsos. A pobreza afasta-os. Fica-se isolado.
Solus eris. A Durande dizem que dava 1000 libras esterlinas por ano. Era demais para um filósofo. Fujamos às tentações, desdenhemos o ouro. Aceitemos com reconhecimento a ruína e o abandono. O isolamento dá frutos. Ganha-se nele as graças do Senhor. Foi na solidão que Aia achou as águas quentes conduzindo os asnos de Sebeão, seu pai. Não nos revoltemos contra os impenetráveis decretos da Providência. O santo homem Jó, depois da sua miséria, cresceu em riquezas. Quem sabe se a perda da Durande não teria compensações, mesmo temporais? Também ele, Herodes, empregara capitais em uma magnífica operação que se realizava em Shefilield; se Mess Lethierry, com os fundos que lhe restavam, quisesse entrar nesse negócio, podia refazer a fortuna; era um grande fornecimento de armas ao czar para reprimir a Polônia.
Ganharia 300 por cento.
A palavra czar pareceu despertar Lethierry, que interrompeu o Dr.
Herodes:
- Não quero nada com o czar.
O Reverendo Herodes respondeu:
- Mess Lethierry, os príncipes são aceitos por Deus. Deus escreveu:
Dai a César o que é de César. O czar é César.
Lethierry, meio absorto na cisma, murmurou:
- Quem é César? Não conheço.
O Reverendo Herodes continuou a exortação. Não insistiu por Shefilield. Não aceitar César era ser republicano. O reverendo compreendia que um homem fosse republicano. Nesse caso, compreendia que Mess Lethierry se voltasse para uma república. Mess Lethierry podia estabelecer a fortuna nos Estados Unidos; melhor do que na Inglaterra. Se quisesse decuplicar o que lhe restava, bastava-lhe tomar ações na grande companhia de exploração das plantações do Texas, que empregava mais de 20 000 negros.
- Não quero nada com a escravidão, disse Lethierry.
- A escravidão - replicou o Reverendo Herodes - é de instituição sagrada. Está escrito: Se o senhor bater o escravo, nada lhe será feito, porque bate o seu dinheiro.
Graça e Doce, na soleira da porta, ouviam com uma espécie de êxtase as palavras do reverendo doutor.

O reverendo continuou. Era, em suma, como dissemos, um bom homem; e quaisquer que pudessem ser os seus sentimentos de casta ou de pessoa com Mess Lethierry, vinha-lhe sinceramente dar o auxílio espiritual, e mesmo temporal, de que dispunha.
Se Mess Lethierry estava arruinado ao ponto de não poder cooperar, com fruto, numa especulação qualquer, russa ou americana, por que não entrava no governo e nas funções assalariadas? São nobres empregos esses, e o reverendo estava pronto a introduzir Mess Lethierry. Vagara em Jersey o lugar de deputado-visconde.
Mess Lethíerry era amado e estimado, e o Reverendo Herodes, decano de Guernesey, podia obter para Mess Lethierry o emprego de deputado-visconde de Jersey. O deputado-visconde é um funcionário considerável, assiste, corno representante de Sua Majestade, aos atos jurídicos, aos debates da plebe e às execuções de sentenças.
Lethierry fixou os olhos no Dr. Herodes.
- Não gosto de enforcamentos - disse ele.
O Dr. Herodes, que até então pronunciara todas as palavras com a mesma inflexão, teve um acento de severidade e uma inflexão nova:
- Mess Lethierry, a pena de morte é ordenada por Deus, Deus entregou a espada ao homem. Está escrito: olho por olho, dente por dente.
O Reverendo Ebenezer aproximou imperceptivelmente a sua cadeira da cadeira do Reverendo Jaquemin, e disse-lhe de modo que não fosse ouvido senão por ele:
- O que este homem diz é-lhe ditado.
- Por quem? - perguntou no mesmo tom o Reverendo Herodes.
- Pela consciência.
O Reverendo Herodes meteu a mão no bolso, tirou um grosso volume em 18.
11, encadernado com fechos, po-lo na mesa e disse em voz alta:
- A consciência é isto.
O livro era a Bíblia.
Depois foi-se abrandando o Dr. Jaquemin. O seu desejo era ser útil a Mess Lethierry, que considerava ser um homem forte. Como pastor, tinha ele direito e dever de aconselhar; todavia Mess Lethierry tinha a liberdade de aceitar ou recusar o conselho.
Mess Lethierry, caindo outra vez na absorção e no abatimento, já não ouvia. Déruchette, assentada ao pé dele, e pensativa também, não levantava os olhos, e dava àquela prática pouco animada a porção de acanhamento que resulta de uma presença silenciosa.
Uma testemunha que não diz palavra é uma espécie de peso indefinível. Mas o Dr. Herodes não parecia senti-lo.
Como Lethierry não respondia, o Dr. Herodes deu largas à palavra.
O conselho vem do homem, a inspiração vem de Deus. Há inspira- ção no conselho do padre. E bom aceitar os conselhos e perigoso rejeitá-los. Schoth foi agarrado por onze diabos por ter desdenhado das exortações de Nataniel. Tiburiano foi atacado de lepra por ter posto fora de casa o apóstolo André. Barjesus, apesar de mágico, ficou cego por ter zombado das palavras de São Paulo.
Elxai e suas irmãs Marta e Martena estão no inferno a esta hora por terem desprezado as advertências de Valencianus, que lhes provava, claro como o dia, que o Jesus Cristo deles, de 38 léguas de comprimento, era um demônio. Oolibama, que também se chama Judíte, obedecia aos conselhos. Rubem e Feniel ouviam os conselhos do céu; bastam os nomes deles para indicá-los; Rubem significa filho da visão, e Feniel significa face de Deus.
Mess Lethierry deu um soco na mesa.
- Mas a culpa é minha! - Que que dizer? - perguntou Jaquemin Herodes.
- Digo que a culpa é minha.
- Culpa de que?
- Por ter mandado vir a Durande à sexta-feira.
O Sr. Jaquemin Herodes murmurou ao ouvido do Sr. Ebenezer Caudray:
- Este homem é supersticioso.
Continuou depois, e em tom de mestre:
- Mess Lethierry, é pueril acreditar na sexta-feira. Não se deve acreditar em fábula. A sexta-feira é um dia como qualquer outro.
Às vezes é data feliz. Melendez fundou a cidade de Santo Agostinho em sexta-feira; foi numa sexta-feira que Henrique VII deu a sua comissão a John Cabot; os peregrinos do Mayflower chegaram a Province-Town em sexta-feira. Washington nasceu na sexta-feira, 22 de fevereiro de 1732; Cristóvão Colombo descobriu a América na sexta-feira, 12 de outubro de 1492.
Dizendo isto levantou-se.
Ebenezer, que tinha ido com ele, levantou-se também.
Graça e Doce, adivinhando que os reverendos iam despedir-se, abriram as portas.
Mess Lethierry não via nem ouvia nada.
O Sr. Jaquemin Herodes disse em aparte ao Sr. Ebenezer Caudray:
- Nem nos cumprimenta. Não é tristeza, é embrutecimento. Devemos crer que ele está doido.
Entretanto, pegou na Bíblia e colocou-a entre as mãos abertas, como quem segura um pássaro com receio que fuja. Esta atitude criou entre os personagens presentes uma certa espera. Graça e Doce esticaram a cabeça.
A voz de Herodes fez quanto pode para ser majestosa.
- Mess Lethierry, não nos separemos sem ler uma página do livro santo. As situações da vida são esclarecidas pelos livros; os profanos tem as sortes virgilianas, os crentes tem as advertências bíblicas. O primeiro livro, apanhado ao acaso, aberto ao acaso, dá um conselho; a Bíblia, aberta ao acaso, faz uma revelação. É sobretudo boa para os aflitos. O que a Santa Escritura respira indubitavelmente é um lenitivo às dores. Diante dos aflitos deve-se consultar o santo livro sem escolher o lugar, e ler com candura o passo encontrado. O que o homem não escolhe, escolhe-o Deus.
Deus sabe o que precisamos. O seu dedo invisível aponta o passo inesperado que nós lemos. Qualquer que seja a página, rebenta-lhe luz. Não busquemos outro. É a palavra do céu. O nosso destino é revelado misteriosamente no texto evocado com confiança e respeito. Ouçamos e obedeçamos. Mess Lethierry, o senhor tem uma aflição, este é o livro da consolação; está enfermo. Este é o livro da saúde.
O Reverendo Jaquemin Herodes abriu a mola do fecho, meteu o dedo ao acaso entre duas páginas, pós a mão no livro aberto, e concentrou-se; depois, abaixando os olhos com autoridade, leu em alta voz.
Eis o que leu :
Isaac passeava no caminho que vai ter ao poço chamado Poço daquele que vive e vê.
Rebeca, vendo Isaac, disse: Quem é este homem que vem andando para mim.
Então Isaac fe-la entrar na sua tenda, e tornou-a por mulher, e grande foi o amor que lhe teve.
Ebenezer e Déruchette olharam um para o outro.