Um dia foi a tia chamada a casa do irmão. A pequena Santa estava doente, não queria tomar um remedio e era preciso que a tia oradora lá a fosse convencer com a sua eloquencia.
Lia viu sahir a tia, com um aperto de coração inexplicavel. Pouco depois via a voltar.
— Lia, disse-lhe esta dá-me a tua pulseira para a levar á prima. A pobre Santa teima em não tomar o remedio e declara que só levando-lhe a tua pulseira o tomará...
— A minha pulseira?! — exclamou a pequena com as lagrimas a saltarem-lhe dos olhos: e a minha mamã o que dirá?...
A tia caminhou para ela com o fogo da indignação no olhar, e disse-lhe severamente:
— Que tu eras uma ingrata, já eu o sabia; mas tão má e avarenta, nunca o pensei. A tua prima sofre, apetece-lhe essa rèles pulseira, que nada vale, e tu não lh'a queres dar! Estupida criatura! A tua mãe!... Já me admirava! Olha, pede-lhe que te sustente, que não faria mais do que a sua obrigação.
Lia chorava em silencio e não se mexia.
A tia então, vendo que a pequena não cedia, retorquiu:
— Mas para que consulto eu esta criança? Que paciencia!...
Foi à gaveta d'uma commoda onde estava a pulseira e tirou-a. Depois, quando ia a sahir, voltou-se para a sobrinha e, por um resto de consciencia, disse:
— Escusas de chorar. Isto é só por agora, porque a Santa, depois, tornará a dar-t'a. Para que quereria