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A Guerra de Canudos

na esquerda, proximo ao rio, faziam sem cessar os corneteiros vibrar o toque de carregar, que era repetido em todos os pontos de commando, assim como o rufar dos tambores e os brados dos commandantes de fracções, repetindo insistentemente as vozes de avançar.

No decorrer d'esse intenso tiroteio, indifferentes ao turbilhão furiozo do assalto, os commandantes dos dois canhões, methodicamente, cumpriam sua missão, dirigindo os fogos sobre os pontos em que mais se pronunciava a agglomeração do inimigo.

Envolvidos no torvelinho, affrontando as balas, os diversos ajudantes d'ordens, em saliencia os do general em chefe, o capitão Abilio de Noronha e o alferes Marques da Rocha, iam calmamente, como verdadeiros bravos, transmittir as disposições dos chefes: o velho general Silva Barbosa, providenciando a um tempo sobre varios assumptos, manifestava actividade e sangue-frio dignos de nota.

E ,os fanaticos firmes na defesa, calmos na matança, mantendo fogo incessante e destruidor, abrigados nas setteiras das torres e casas, produziam grandes damnos, enviando cargas de chumbo e de aço, que varavam os corpos, ferindo animaes e ricochetando nos canhões, rassfando estrias no sólo.