Página:A Guerra de Canudos.djvu/431

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
A Guerra de Canudos
363

Os soldados, d'antes tão predispostos a não perdoarem um só daquelles desgraçados, involuntariamente deixavam escapar brados de compaixão. Os retirantes pediam agua co vóz sumida e os de ha bem pouco inflexiveis atiradores, iam á procura de alguma para mitigar a sede que devorava as desditosas. Bebiam-na com selvagem soffreguidão e deixavam se cahir, tontas de fraqueza. Varios entesinhos morreram ali mesmo, depois de sorverem alguns goles.

Em pouco, a grande praça encheu-se com centenares de prisioneiros, inclusive os invalidos, os aleijados, macrobios e cégos, feridos todos elles, fervilliando-lhes os vermes nas chagas antigas. Mostravam um ar de imbecilidade e distracção, fructo dos longos martyrios que aniquilavam-lhes o corpo e a alma.

O Apostolo, n'uma constante actividade, ia e voltava, procurando entre as labaredas sempre alterosas, alguma creancinha, ensinava o caminho álguma pobre velha. Elle desejava salvar a todos. Novamente tentava obter dos intransigentes fanaticos que sahissem daquelle inferno. Em resposta, obtinha ferózes ameaças, expressas nas mais odientas imprecações.

Havia um grupo de fanaticos, aliás numeroso, emboscado em duas grandes vallas e sub-