Página:A escravidão dos negros.pdf/86

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     E nem tomo como declamação a indignação que estes manifestam, porque não creio que se deva fallar friamente de crueldades que revoltam a natureza. Conforme o principio adoptado pelos escravocratas, lodo o individuo que mos- tra humanidade e que possue uma alma fórte ou sensivel, torna-se indigno do credito, e não devem merecer confi- ança senão as pessoas bastante frias e bastante vis para inspirarem a segurança de que, por mais horroroso que seja um acto praticado em presença d’ellas, nunca se perturbarão. Finalmente, dou credito aos que teem descripto os horrores da escravidão dos negros, porque são isentos do interesse, e nem póde havel-o (ignobil, pelo menos) em combater em pról dos desgraçados negros. Rejeito, ao contrario, o testemunho dos defensores da escravidão, e dos que propõem suavisal-a por meio de leis, quando vejo que teem ou aspiram ter empregos graças á protecção dos pro- prietarios; que possuem, elles proprios, escravos; ou, finalmente, que foram nas colonias os protectores ou os cumplices da tyrannia; e duvido que se possa citar, em favor da escravidão, o testemunho do um homem pertencente a outra classe que não uma d’estas.

     Triste causa contra a qual se teem reunido todos quantos não teem interesse pessoal em sustental-a!...

     A perda da liberdade é muito para os negros; nem ha homens para quem ella não seja uma grande infelicidade. Sem duvida que um negro não se matará, como Catão, para não ser obrigado a obedecer á Cesar; porém, se matará, porque seu senhor o separa forçadamente de sua