Página:A honestidade de Etelvina (separata de Atlântida n09).djvu/19

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bilhete ao vice-cônsul. Aquele senhor amável era da polícia. O Vice-cônsul aconselhaVa-me ...

Fiz um enorme esforço para conservar uma certa linha de distinção. Como as mulheres humilham! Com que rapidez aquela criatura me reduzia de amante a desordeiro inconveniente. Disse algumas palavras de ironia que as duas autoridades ouviram a sorrir com receosa piedade. O vice-cônsul convidou-me para dormir na sua residência. Era solteiro. Conhecia a vida... Devia ser doloroso ver um lar vazio ...

Fui. Não dormi a noite. Pela manhã, saí. Era evidentemente acompanhado por um polícia secreta. Entrei na minha casa. A impressão foi a de quem revê scenários depois da representação da peça. Estive enojado alguns momentos, — não dela, mas do meu acto. Abri as gavetas, li cartas. Todas as cartas de minha família mostravam o susto pela minha demora. Deixei os criados atónitos, fui de caminho a uma agência de leilões e à agência de Vapores.. Oito dias depois embarcava para o Rio. Antes informara-me dela. Não estava com o Justino. Escrevi-lhe uma carta pedindo-lhe perdão. E até à hora de embarcar esperei a resposta ...

— É sempre triste o fim... Êsse foi lamentável. Tanto mais quanto, perdendo-a, livre da sedução, a curiosidade tornara-se enorme. Eu desejava conhecer o coração daquela mulher, saber ao certo o que ela pensava, o que ela sentia. Há um ano, ela reapareceu no Rio numa companhia de operetas. A pretexto de abraçar os amigos fui a bordo. Etelvina ia desembarcar com o seu novo amante, o segundo tenor, um sujeito bexigoso, que tinha anéis em todos os dedos das mãos. Olhou-me calma. Não me cumprimentou. Era como se nunca nos tivéssemos visto. Fiquei de novo irritado. Mas o procedimento dela fôra de tal ordem que eu, o violento, o estouvado, eu senfiá a timidez de um rapazola, a vergonha de qualquer acto menos polido. Assim, em vez de atacá-la, de ter uma explicação,, voltei a ter uma frisa permanente no teatro, a mandar-lhe diária-