Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/340

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Os très cavalleiros olharam uns para os outros, consternados com a explicação.

Iam a dirigir maïs algumas perguntas, quando passou por alli uma rapariguita, guardando porcos, que parou pasmada a olhar para os engenheiros.

—­Se v. s.^{as} querem, está pequena vae ensinar-lhes o caminho.

Acceitaram contentes, e cêdo partiam, precedidos por a pequena cicerone.

—­Grande novidade!—­ficou dizendo o Cancella comsigo—­sim, senhor; com que vão principiar as estradas! Pois nunca cuidei que fôsse nos meus dias. Então... querem vêr que sempre sae certo o que eu ouvi dizer, que vae abaixo a casa e o quintal do tío Vicente?... Pois se querem vêr... O pobre homem estala de paixão, se isso assim é; isso é com certeza... Pois, senhores... isto de estradas... é bom, é; pois não é? Sempre é outro arranjo para quem tem de ir á cidade...

Nova surpreza esperava o Herodes n’este regresso aos lares. De longe ainda, divisou affixado á porta da igreja um edital. Outra circumstancia que nas cidades nem nos obriga a desviar a cabeça, porém que nas aldeias toma as proporções de um grande successo.

—­Ui! Temos novidade—­disse o Herodes ao vêl-o.—­Edital á porta da igreja!—­e approximou-se para ler.

Proclamava o chefe do concelho aos seus administrados que, por ordens terminantes do governo, eram, desde aquella data, expressamente prohibidos, sob as maïs severas peñas, os enterramentos no interior da igreja, e que todos se fariam no cemiterio, para esse fim já construido. Havia no logar um grupo de populares commentando a ordem e murmurando contra o governo e contra o conselheiro, e falando de opposição e motim.

—­Bom, maïs outra!—­dizia o Herodes, ao apartar-se do logar.—­Grandes coisas se passaram cá