Página:Ao correr da pena.djvu/137

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Rio, 26 de novembro.

O tempo corre, passam-se os dias, e o ano vai rapidamente chegando a seu termo; mais algumas semanas e ele cairá na eternidade como um grão de areia na ampulheta das horas.

A comparação não tem nada de novo, é muito antiga; mas por isso mesmo acho-a excelente para um ano velho e caduco, que está tão próximo a deixar-nos, que os historiadores já se preparam para disseca-lo e fazer-lhe autópsia.

Assim, esse pouco tempo que nos resta é consagrado ao adeus e às despedidas. Tudo se despede, e os dias vão correndo de despedida em despedida até que chegue o momento de dizermos a este ano, como se diz no Barbeiro de Sevilha ao massante D. Basílio: Buona sera, mio signor.

A primeira despedida foi a do Cassino ba segunda-feira. Pela última vez o baile aristocrático abriu os seus salões aos convidados. Para o não - se é exato o que nos prometem - em lugar desta casa antiga e desses repartimentos acanhados, veremos elevar-se nesse mesmo lugar algum palácio de fadas, que nos dará uma vez por mês, e sem ser preciso irmos ao Oriente, uma cópia fiel das Mil e uma noites.

Talvez isto faça reviver os belos tempos do Cassino, quando reunia nos seus salões a fina flor da sociedade desta corte. É verdade que então não se tinha ainda introduzido a moda