Página:Ao correr da pena.djvu/145

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reconhecido, veio aos degraus do trono para beijar a mão ao pai da nação, para agradecer-lhe os benefícios recebidos e pedir-lhe ainda a direção, a paz, o trabalho, a instrução, a indústria, a colonização, e todos esses germes da civilização, que o país encerra no seu seio, e que serão um dia fecundados pelo pensamento criador do seu governo.

A esta grande manifestação do seu povo, o Imperador respondeu agraciando-o na pessoa daqueles brasileiros cujos serviços entendeu mereciam ser remunerados. Algumas dessas mercês não são unicamente uma graça, mas uma antiga dívida que S.M. pagou em nome da nação a alguns velhos servidores do nosso país. Entre estes há especialmente alguns nomes que, para fazer-se o seu elogio aos brasileiros, basta despi-los do seu título e repeti-los.

Havia cinco anos que não se realizava esse poético costume das monarquias, de fazer a distribuição das graças nos dias aniversários de algum acontecimento feliz. Sempre uma contrariedade qualquer vinha obstar aquele ato. Este ano, porém, as circunstâncias favoráveis de uma atualidade calma e serena permitiram.que a munificência imperial pudesse ao mesmo tempo pagar as dívidas da nação e auxiliar a realização do pensamento de união e concórdia, que é o programa de governo do Sr. D Pedro II e o seu voto o mais ardente como Brasileiro e como soberano.

Este ano já a tolerância tinha passado a esponja por sobre todos estes nomes de guabiru e de praieiro, de luzia e de saquarema, de exaltado e conservador, aos quais outrora os ódios políticos fizeram representar na luta encarniçada dos partidos o papel de guelfos e gibelinos. S.M. por conseguinte podia lançar os olhos pela união brasileira, e ver unicamente cidadãos que se distinguiam pelo seu mérito e pelos seus serviços, sem que uma necessidade dolorosa do seu governo viesse, como nos anos anteriores, batiza-los de ministeriais,