Página:Ao correr da pena.djvu/147

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e desenvolvimento qu atualmente nada tem que desejar à Itália, a terra das obras primas, a pátria dos grandes pintores, dos grandes estatuários, dos grandes arquitetos.

O dia que começara tão artisticamente devia acabar da mesma maneira, e de fato acabou com a representação do Roberto do Diabo no Teatro Lírico. Apesar de estarmos conversando hoje, creio que compreendeis bem a razão por que não vos conto alguma coisa dessa representação que se deu ontem: são coisas da imprensa.

Contudo, como estamos no teatro, suponde que houve na cena uma mutação rápida, e que vos achais de repente num salão iluminado, no meio de música, de perfume, de flores, de espelhos, de moças, e de velhas também. Dança-se... Adivinhai o quê?

Não é nem quadrilha diplomática, nem a valsa estonteada, nem a schottish com os requebros, ou a polca com os seus pulinhos. É uma coisa que tem um pouco de tudo isto, é que me faz lembrar o meu bom tempo de colégio, porque há uma espécie de marcha que se executa ao som de palmas, tal e qual como nas classes. Chama-se esta dança Ril da Virgínia, terra donde eu sabia que vinha bom fumo, donde não me consta que nunca se despachassem danças na alfândega.

O caso é que, pela alfândega ou por contrabando, dança-se hoje no Rio de Janeiro o Ril da Virgínia, que os velhos bailarinos aborrecem de morte, pela razão muito simples de não admitir canelas de cinqüenta anos passados. Os moços, porém, adoram-no; e isto também por uma razão muito simples: porque cada um, embora tire seu par, nem por isso deixa de danças com todas as moças, e de ser ao mesmo tempo par de todos os pares dos outros.

De maneira que agora já não há risco de se ir tarde para o baile, e não encontrar o par que se deseja; nem de andar a catar pelo meio, e não encontrar o par que se deseja; nem de andar a catar pelo meio da casa moças bonitas e espirituosas. Outra vantagem ainda: como a dança é uma roda-viva, estamos dispensados de estar ai a inventar motivos de conversa, e de levarmos uma