Página:Ao correr da pena.djvu/241

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claustro, e faze-lo concorrer para o bem público auxiliando a instrução pública, os estabelecimentos de caridade, a catequese, ou mesmo a vigilância das prisões, como se usa em Leão?

É tarde; os últimos restos de algumas ordens religiosas que tivemos não têm regra nem disciplina, nem instrução que outrora adquiriam; e apenas vegetam entre quatro paredes, esperando o dia de sua completa extinção, que não há de estar muito remoto.

A regeneração do claustro no nosso país é uma obra impossível; alguns homens ilustres que hoje existem, como Monte Alverne, o bispo de Crisópolis e outros, são representantes ainda daqueles tempos de prestígio e de ilustração, em que a solidão do claustro era iluminada pelo fogo do céu.

Presentemente, se um ou outro moço se distingue, o que é raro, nada à clausura, e sim à sua inteligência, ao seu estudo, aos seus esforços pessoais; o frade antigo ainda pode existir, como uma velha ruína: mas a ordem, o espírito de união, o vínculo sagrado, desapareceu, e com ele, a existência dos conventos.

Se a regeneração, pois, não é possível, que explicação tem esse ato de profissão? Não descubro nenhuma; não me ocorre um motivo que possa atualmente justificar a inabilitação de um homem para os cargos públicos; a condenação de uma atividade e de um elemento de trabalho a que o país tem direito.

Para mim o frade é um tipo história, que passou como o antigo sacerdote, como os filósofos, os escolásticos, os eremitas, os cavaleiros, os maçons, e que, tendo feito o seu tempo, pertencem às lendas e às crônicas.

Não sabem quanto me pesa ter de falar contra os frades justamente na quaresma; mas não há outro remédio; e, como eu não falo contra os homens, e sim contra o burel ou a estamenha os cobre, a consciência não me acusa de pecado.

Outra coisa seria, se me desse na cabeça subir o morro de Santa Teresa, ou mesmo ir até o recolhimento da Ajuda, onde talvez me revelassem bem lindos mistérios!