Página:Ao correr da pena.djvu/299

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Entretanto, apesar da chuva, tivemos esta semana uma noite de Trovado r e outra de Sonâmbula.

O Dufrene fazia a sua quarta estréia nesta última ópera. Na ocasião em que se representava uma das cenas do primeiro ato, um amigo que estava no meu lado lembrou-me as seguintes palavras de Balzac:

"Um artiste qui a le malheur d'être pleindre la PASSION qu'il veut exprimer ne saurait la peindre, car il est la CHOSE même, au lieu d'en être l'image."

O que é que Balzac e o meu amigo quereriam dizer com estas palavras? Não sei; um citou-as sem comentário; o outro escreveu-as sem segunda tenção.

Nesta mesma noite teve lugar a reunião da Sociedade Estatística na sala onde se achavam expostos os produtos industriais dos Estados Unidos, que o Sr. Fletcher oferecera a Suas Majestades e algumas corporações científicas desta corte.

Havia muita coisa a admirar naquela pequena exposição especialmente pelo que toca à fotografia, aos trabalhos de cromolitografia, e às cartas geográficas feitas pelo novo sistema da gravura sobre cera.

Vimos um busto de Webster, que o Sr. Fletcher nos afirmou ser feito com uma máquina, que por meio de um processo engenhoso copia os traços de um outro busto. A semelhança era completa, a julgar-se pelos retratos em fotografia que existiam na sala.

Aberta a sessão pelo Sr. Visconde Itaboraí, o Sr. Fletcher pronunciou um discurso em francês, no qual expôs as suas idéias e os projetos que o haviam animado a voltar ao Brasil.

Depois de falar sobre a ignorância absoluta e recíproca que existe no nosso país e nos Estados Unidos sobre a organização política, a administração e o progresso de uma e outra nação, mostrou os desejos que tinha, de fazer conhecido o Brasil na sua pátria e de estreitar assim as relações comerciais e políticas dos dois povos americanos.

Se o Sr. Fletcher conseguir realizar esta idéia, pela qual