Página:As organizações no ciberespaço.djvu/59

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democrático. A participação política adquire maiores funcionalidades com característica até então desconhecidas ou não passíveis de serem alcançadas. As ações de ciberativismo possuem as mesmas características do ativismo político comum, partidário ou não, entretanto são aliadas à segurança e liberdade comunicacional existentes no ciberespaço, ultrapassam as fronteiras territoriais e as limitações temporais do ambiente físico. A Governança eletrônica caracteriza-se por aumentar a transparência das ações dos governos e aproximar o Estado e seus serviços da população. Isso acarreta na inclusão de parcelas da população até então marginalizadas pelo aparato estatal. Por fim, ocorre uma otimização das políticas públicas em face da melhoria na qualidade das informações. Aumentam as plataformas interativas que proporcionam informação e debates através de fóruns, portanto melhora a qualidade da opinião pública e, por conseguinte, há um fortalecimento da sociedade civil direcionada pela ação comunicativa. A possibilidade do voto eletrônico viabiliza uma maior deliberação por parte dos cidadãos e começa a colocar em xeque a democracia representativa, ao vislumbrar um cenário onde todos estão suficientemente informados, há diversidades de opiniões e mecanismos que assegurem o sigilo das informações. O ciberespaço pode oferecer uma liberdade de expressão e de navegação nos conteúdos informacionais muito maior que as outras mídias. Pois,

"entramos então numa época e que a democracia e o ciberespaço vão gerar-se mutuamente num anel autocriador de que a comunidade científica internacional foi a iniciadora e a primeira beneficiária (uma comunidade científica cuja ética se caracteriza, simultaneamente, pela liberdade de pensamento e pelo entusiasmo cooperativo. (...) Os destinos da democracia e do ciberespaço estão intimamente ligados, pois ambos implicam aquilo que a humanidade tem de mais essencial: a aspiração à liberdade e à potência criativa da inteligência criativa." (LEVY, 2002, p.32)

Nesse sentido, para Nogueira (2004), a abertura de espaços de participação pode facilitar a obtenção de respostas para as necessidades comunitárias, aumentar a comunicação entre governantes e governados, fornecer melhores parâmetros para a tomada de decisões, fortalecer a gestão pública e, finalmente, promover a cidadania ativa.

Entretanto, o projeto democrático convencional e a sua nova face eletrônica