Página:As organizações no ciberespaço.djvu/66

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Portanto, quem possui mais poder tende a sacrificar a liberdade de outro ao invés da sua própria no momento da busca pela segurança e, por conseguinte, sacrificar a segurança do mais fraco para aumentar sua liberdade.

Ainda segundo Bauman (2003), nenhum agrupamento de seres humanos é sentido como comunidade a menos que seja bem tecido de biografias compartilhadas ao longo de uma história duradoura e uma expectativa ainda mais longa de interações freqüentes e intensas. Porém, é preciso ressalvar a noção de duração na sociedade contemporânea, principalmente no que concerne aos relacionamentos ocorridos no ciberespaço. Uma partida de xadrez jogada através de correspondências enviadas via correio poderia levar alguns anos para acabar e ser tornar uma história duradoura de interações, entretanto a mesma partida pode ser jogada em algumas horas num ambiente virtual. O ciberespaço permite que as biografias sejam compartilhadas na mesma intensidade mas num tempo menor. O tempo é um conceito subjetivo em filosofia, portanto a duração de uma relação precisa ser relativizada no contexto do ciberespaço.

De acordo com Levy (2002),

"Com a imprensa, o tempo acelerou para se tornar revolucionário: revoluções científicas, religiosas, industriais, políticas. A emergência do ciberespaço, novo salto fundamental na história da linguagem, também apressa a transformação do tempo. A velocidade normal da evolução cultural deu lugar ao tempo real." (LEVY, 2002, p. 23)

No ciberespaço uma idéia é concebida, torna-se pública, começa a competir com outras, pode ganhar força num documento ou software, dentro de uma organização ou de uma rede. Tudo isso ocorre quase que instantaneamente, em tempo real.

O tempo numa comunidade baseada no ciberespaço é real, portanto é simultâneo e depende exclusivamente da tempestividade em que ocorre a conexão entre os atores em cada relação ou processo.

Para Bauman (2003), a comunidade deve confirmar a propriedade da escolha e emprestar parte de sua gravidade à identidade a que confere "aprovação social", deve ser tão