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II.

Pago o quotidiano tributo á existencia material; satisfeitos os deveres de cada profissão, a palestra litteraria nos reunia na faceira e tranquilla salinha do meu escriptorio.

Alli, — horas inteiras, — alheios ás lutas do mun­do, conchegados nos lugares e nas affeições, levitas do mesmo culto, filhos dos mesmos paes — a po­breza e o trabalho, — em derredor do altar do nosso templo — a meza do estudo... fallavamos de Deos, de amor, de sonhos; conversavamos musica, pintura, poesia!...

Alli depunhamos o fructo das locubrações da ves­pera, e na singella festa das nossas crenças, novas inspirações bebiamos para os trabalhos do seguinte dia. Era um continuo deslisar de amenissimos mo­mentos; era um suave fugir das murmurações dos profanos; era emfim um dulcissimo viver nas re­giões da phantasia!... E foi esse ó berço das Prima­veras, das Tentativas, das Chrysalidas e das Ephemeras, e foi d'alli que irradiaram os nomes de Casimiro de Abreu, de Macedinho, de Gonsalves