Página:Como e porque sou romancista.djvu/39

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romance; ou pelo menos um protogonista, uma scena e uma epocha.

Recordo-me de que para o martyrio do Padre Francisco Pinto, morto pelos Indios do Jaguaribe, se volvia meu espirito com predilecção. Intentava eu figural-o na mesma situação em que se achou o Padre Anchieta, na praia de Iperoig; mas succumbindo afinal á tentação. A lucta entre o apostolo e o homem, tal seria o drama, para o qual de certo me falleciam as forças.

Actualmente que, embora em scena diversa, já tratei o assumpto em um livro proximo á vir á lume; posso avaliar da difficuldade da empreza.

Subito todas aquellas locubrações litterarias apagaram-se em meu espirito. A molestia tocara-me com sua mão descarnada; e deixou-me uma especie de terror da solidão em que tanto se deleitava o meu espirito, e onde se embalavam as scismas e devaneios de fantasia. Foi quando desertei de Olinda, onde só tinha casa de estado, e acceitei a boa hospitalidade de meu velho amigo Dr. Canarim, então collega de anno e um dos seis da colonia paulistana, á que tambem pertenciam o conselheiro Jesuino Marcondes e o Dr. Luiz Alvares.

Dormiram as lettras, e creio que tambem a sciencia, um somno folgado. De pouco se carecia