Página:Como e porque sou romancista.djvu/45

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acontecimentos. Deliberei porém mudar o plano, e abri a cena com o princípio da ação.

Tinha eu escrito toda a primeira parte, que era logo publicada em folhetins; e contava aproveitar na segunda o primeiro fragmento; mas, quando o procuro,dou pela falta.

Sabidas as contas, Leonel que era então o encarregado da revista semanal, Livro do Domingo, como ele intitulou, achando-se um sábado em branco, pediu-me alguma coisa com que encher o rodapé da folha. Ocupado com outros assuntos, deixei que buscasse entre os meus borrões. No dia seguinte lograva ele aos leitões dando-lhes em vez da habitual palestra, um conto. Era este o meu princípio de romance ao qual ele tinha posto, com uma linha de reticências e duas de prosa, um desses súbitos desenlaces que fazem o efeito de uma guilhotina literária.

Fatigado do trabalho da véspera, urgido pelas ocupações do dia, em constantes tribulações, nem sempre podia eu passar os olhos pôr toda a folha.

Nesse domingo não li a revista, cujo teor já me era conhecido, pois saíra-me da pasta.

Imagine, como fiquei, em meio de um romance,