Página:Como e porque sou romancista.djvu/58

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


Todavia ainda para o que teve a fortuna de obter um editor, o bom livro é no Brasil e pôr muito tempo será para seu autor, um desastre financeiro. O cabedal de inteligência e trabalho que nele se emprega, daria em qualquer outra aplicação, lucro cêntuplo.

Mas muita gente acredita que eu me estou cevando em ouro, produto de minhas obras. E, ninguém ousaria acredita-lo, imputaram-me isso a crime, alguma cousa como sórdida cobiça.

Que país é este onde forja-se uma falsidade, e para que? Para tornar odiosa e desprezível a riqueza honestamente ganha pelo mais nobre trabalho, o da inteligência!

Dir-me-á que em toda a parte há dessa praga; sem dúvida, mas é praga; e não tem foros e respeitos de jornal,admitindo ao grêmio da imprensa.

Excedi-me além do que devia; o prazer da conversa...

Maio de 1873.

Notas

1. Hoje com a mania das crismas, do Visconde do Rio Branco. – J.A .

2. Conselheiro Leonel de Alencar, hoje Barão de Alencar.

3. Aqui ficou interrompida a frase final deste trabalho, já datado e assinado pelo seu autor.