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CONTOS POPULARES DO BRAZIL

do-se o tempo de dar a rainha á luz, as suas irmãs se offereceram para servil-a e dispensar a parteira. Chegado o dia, ellas muniram-se de um sapo, uma cobra e um gato. Quando nasceram os tres coroados, ellas os esconderam dentro de uma boceta; e mandaram largar no mar. Apresentaram, então, ao rei, os tres bichos, dizendo: «Ahi estão os coroados, que aquella impostora pariu.» O rei ficou muito desgostoso e mandou enterrar a mulher até aos peitos, perto da escada do palacio, dando ordem a quem por alli passasse para cuspir-lhe no rosto. Assim se fez. Mas um velho pescador encontrou no mar a boceta, apanhou-a, e abriu e encontrou os tres meninos ainda vivos e muito lindinhos. Ficou muito alegre, e levou-os para casa para crear. A velha, sua mulher, se desvelou muito no trato das crianças. Quando estas cresceram a ponto de poderem ir para a escóla, foram e passavam sempre pelo palacio do rei. As cunhadas d'elle viram, por vezes, passar os meninos e os conheceram.

Um dia os chamaram, e se puzeram com muitos agrados com elles, e lhes deram de presente tres fructas envenenadas, a cada um a sua.

Os meninos comeram as fructas, e viraram todos tres em pedra. Os velhos ficaram muito afflictos com aquillo, e toda a cidade fallou no caso.

Mas a velha, que era adivinha, disse ao marido: «Não tem nada; eu vou a casa do Sol buscar um remedio para as tres pedras virarem outra vez em gente.» Partiu montada a cavallo.

Depois de andar muito tempo, encontrou um rio muito grande e bonito. O rio lhe disse: «Ó minha avó, aonde vae?» A velha respondeu: «Vou a casa do Sol para elle me ensinar que remedio se deve dar a quem virou para pedra para tornar a virar para gente.» O rio lhe disse: «Pois então pergunte tambem a elle a razão porque, sendo eu um rio tão bonito, grande e fun-